A Passarela do Samba Nego Quirido também é a Passarela da Cidadania. No mesmo local onde é feita a manipulação de alimentos dos camarotes durante os dias de desfiles do Carnaval, durante o ano, também serve de abrigo para pernoite (80 vagas), sala de atendimento psicológico, banho, cortes de cabelo e refeitório para café, almoço e jantar. Ao todo, são servidas 450 refeições por dia.

Gisele é agente de Sensibilização, uma das três equipes da Prefeitura de Florianópolis que realiza abordagens às pessoas em situação de rua na Capital | Foto PMF/Divulgação
De segunda a sexta-feira, a prestação desses serviços é feita pela Associação Braços Abertos (ABA), organização conveniada com a administração municipal. Nos finais de semana, a solidariedade assume os trabalhos quando voluntários de 15 grupos de voluntários que se revezam para atender àqueles que buscam suporte. No local, oportunidades em cursos e vagas de emprego também são ofertadas.
“Por meio dos diversos serviços disponibilizados pela Prefeitura de Florianópolis, buscamos fomentar a reinserção das pessoas em situação de rua no mercado de trabalho, devolver sua autonomia e com isso, reinseri-las na sociedade,” afirma a secretária municipal de Assistência Social, Maria Cláudia Goulart.
Em busca de uma nova realidade
Henrique Godoy, tem 33 anos e é natural de Porto Alegre. Veio para Capital em busca de trabalho na área de educação física. Não deu certo e em pouco tempo, o dinheiro que tinha reservado acabou. A partir daí, seu destino seria a rua. Mas sua vida começou a mudar, depois que conheceu os serviços oferecidos pela Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Assistência Social. Inicialmente foi acolhido na Casa de Passagem e desde então faz as refeições na Passarela da Cidadania. No local, ele também já pernoitou, tomou banho e teve acesso a outros serviços.

Henrique Godoy comemora a conquista de um emprego | Foto PMF/Divulgação
Hoje comemora a conquista de um emprego. No Centro Pop conseguiu refazer os documentos pessoais e imprimir currículos. Depois de muito procurar, conseguiu uma colocação na área de telemarketing. Decidiu refazer sua vida em Florianópolis. Já conseguiu alugar uma kitinete e está ansioso pelo primeiro salário.
“Se não fosse o apoio deste serviço e das pessoas que trabalham aqui, talvez eu não tivesse conseguido essa vagai”, afirma Henrique. “Espero nunca mais ter que passar por dificuldade nenhuma, a ponto de não ter onde morar”, acrescenta Henrique Godoy.

Jair Nunes Lima também é um dos beneficiados pelo trabalho realizado na Passarela da Cidadania | Foto PMF/Divulgação
Jair Nunes Lima também é um dos beneficiados pelo trabalho realizado na Passarela da Cidadania. Natural de Imaruí, está em situação de rua há oito anos, devido a conflitos familiares. Ele se alimenta, toma banho, corta cabelo e pernoita no local.
“Tudo o que eu preciso eu tenho aqui. Foi muito bom ter a ABA junto com a prefeitura nesse projeto. Seria muito ruim se não tivesse como se alimentar,” afirma. É a melhor coisa que já aconteceu para que nós que estamos na rua.” acrescenta Jair Nunes Lima.
Trabalho integrado
O atendimento realizado na Passarela da Cidadania é um dos diversos serviços que a Prefeitura de Florianópolis oferece para as pessoas em situação de rua durante as abordagens diárias de três equipes: Abordagem Social, Sensibilização e Força-tarefa DOA (Defesa, Orientação e Apoio).
Além desses, são ofertados outros programas de acolhimento, atenção em saúde para dependentes químicos, alimentação, passagens de retorno para a cidade de origem, capacitação e apoio na reinserção no trabalho e na sociedade.
Gisele Aparecida Furtado é agente de Sensibilização, uma das três equipes da Prefeitura de Florianópolis que realiza abordagens às pessoas em situação de rua na Capital.
“Eles podem sair dessa situação sim. Basta ter alguém que estenda uma mão. Aqui eles tem um suporte para não estarem nas ruas. Tem banho, café da manhã, almoço e jantar. É um suporte para que possam retornar para a sociedade”, comenta Gisele Aparecida Furtado é agente de Sensibilização
A Força-tarefa DOA, formada por entidades da sociedade civil organizada e por representantes da secretaria de Assistência Social atua diariamente em todas as regiões. A equipe segue um cronograma de abordagens previamente definido. A equipe de Abordagem Social é composta por educadores sociais e psicólogos e também atua na Capital.
Alemão vai retornar para seu país
Após quatro anos em Florianópolis, Sandy Surchner, 48 anos, vai voltar para casa. E não é perto daqui. Seu lar, onde reside seu pai adotivo, fica em Stuttgart, cidade localizada na região Sul da Alemanha. Ele teve seus documentos e dinheiro roubados e passou por um período difícil aqui na Capital.

Sandy Surchner teve seus documentos e dinheiro roubados e passou por um período difícil aqui na Capital \ Foto PMF/Divulgação
Sua realidade começou a mudar quando, há alguns dias, foi encontrado pela força-tarefa DOA. Integrantes da equipe, representantes da Secretaria de Assistência Social, entraram em contato com o consulado da Alemanha no Brasil e iniciaram as tratativas para repatriar Sandy. Com a passagem de ônibus fornecida pela Prefeitura de Florianópolis, ele viajou na tarde desta quarta-feira (08) para Porto Alegre, onde, por fim, embarcará no voo para a Alemanha.

Sandy cortou cabelo e se preparou para voltar para casa | Foto PMF/Divulgação
Sandy fala e entende um pouco do idioma brasileiro. Ele não esconde o quanto está alegre com essa nova chance que recebeu de retornar para o seu país de origem. Deseja conseguir um emprego e assim que possível, voltar a trabalhar na área em que atuava anos atrás: organização de eventos gastronômicos. “Estou feliz. É uma nova vida agora. A ajuda que recebi foi muito boa. Agradeço muito”, afirmou.

Com a passagem de ônibus fornecida pela Prefeitura de Florianópolis, ele viajou para Porto Alegre de onde voltará para a Alemanha | Foto PMF/Divulgação
Enquanto sua situação era resolvida, Sandy recebeu calçados e roupas novas, tomou banho e se alimentou na Passarela da Cidadania.
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