O técnico do Joinville, Diego Souza, foi suspenso por 360 dias pelo Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC). A punição foi aplicada pelo uso de uma licença falsa de treinador. Além da suspensão, o ex-jogador terá que pagar uma multa de R$ 20 mil.
Como já cumpriu parte da pena por meio de suspensão preventiva, iniciada em 23 de outubro, Diego Souza ainda terá 340 dias de afastamento do exercício da função de treinador. O prazo para pagamento da multa é de 15 dias. A decisão foi unânime, com três votos favoráveis à condenação.
O treinador pretende recorrer ao Pleno do TJD-SC e, posteriormente, ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
A denúncia foi apresentada pela Procuradoria da Justiça Desportiva de Santa Catarina, com base no artigo 234, parágrafo 1º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de irregularidades relacionadas a documentos.
Durante o depoimento, Diego Souza afirmou que ainda atuava como jogador quando recebeu, em 2023, o contato de Alejandro Mancuso, ex-jogador argentino investigado por envolvimento em um esquema de comercialização de diplomas falsos de treinador.
Segundo Diego, Mancuso ofereceu a possibilidade de obter uma licença de forma rápida, por meio de um procedimento especial, em razão de seu histórico no futebol. O técnico afirmou que não desconfiou da autenticidade dos documentos enviados pelo argentino.
“Me sinto até envergonhado por essa situação toda. Eu mandei um e-mail para a CBF na mesma hora alegando que poderia ter caído num golpe e ter sido uma situação de uma licença falsa”, declarou.
Diego também afirmou que chegou a conversar com outros jogadores mencionados por Mancuso sobre o procedimento. No entanto, admitiu que não participou de aulas ou atividades de formação para obter o registro de treinador.
Em um dos áudios apresentados no caso, Mancuso explica a Diego como funcionaria a emissão da licença e cita outros nomes do futebol brasileiro como exemplos de profissionais que teriam utilizado o mesmo procedimento.
Na gravação, o argentino afirma que as licenças urgentes eram destinadas a jogadores com destaque na carreira e que a documentação seria encaminhada à federação responsável. Em outro áudio, diz que os documentos de Diego já estavam completos e que a licença estava pronta.
Entenda o caso
O registro de Diego Souza como treinador foi cancelado no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no início de outubro, após o ex-jogador ser citado nas investigações envolvendo Alejandro Mancuso.
O argentino é investigado por suspeita de participação em um esquema de venda de diplomas falsos de treinador para atletas. Diego Souza foi um dos nomes mencionados no caso, mas sustenta que desconhecia a falsidade da documentação.
A suspensão preventiva do treinador foi determinada pelo TJD-SC em 23 de outubro, inicialmente pelo período de 30 dias, além do impedimento de acesso aos estádios.
Diego Souza foi anunciado como técnico do Joinville no dia 2 de agosto e estreou no comando da equipe em 30 de agosto. Desde então, vinha trabalhando com o elenco na disputa da Copa Santa Catarina, competição que oferece ao campeão uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro ou na Copa do Brasil.