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PL deve apoiar reeleição de Hugo Motta na Câmara, mas quer Rogério Marinho no comando do Senado

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Por: Eliane Cristina

31/10/2026 - 10:10 - Atualizada em: 31/10/2026 - 10:41

O Partido Liberal (PL) deve apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, mas pretende garantir espaço no comando do Senado Federal. Para isso, a sigla defende o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a presidência da Casa.

A estratégia busca ampliar a participação do partido nas decisões do Congresso Nacional e evitar que, mesmo tendo conquistado a maior bancada de deputados, o PL perca espaço na distribuição de cargos e no comando das comissões parlamentares.

Segundo informações divulgadas pela CNN, o partido convocou uma reunião com seus integrantes para a próxima terça-feira (3), às 18h, quando deverá definir oficialmente sua posição sobre a disputa pela presidência da Câmara e a divisão de espaços no Legislativo.

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Inicialmente, o PL chegou a considerar uma candidatura própria para enfrentar Hugo Motta. Entre os nomes avaliados estavam Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada, e Altineu Côrtes (PL-RJ), atual vice-presidente da Câmara. A possibilidade, porém, perdeu força diante da articulação política em torno da reeleição de Motta, que já reúne apoio de 15 partidos, incluindo o PT.

Disputa por espaço nas comissões

Um dos principais motivos para o PL buscar um entendimento com Hugo Motta é a distribuição das presidências das comissões da Câmara. A escolha segue critérios de proporcionalidade dos blocos parlamentares, o que pode favorecer partidos que participam de grandes alianças.

Entre as comissões mais disputadas está a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das mais importantes da Casa por analisar a constitucionalidade das propostas legislativas. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) tem interesse em comandar o colegiado.

Caso o PL fique isolado fora do bloco de apoio a Motta, poderá perder espaço na escolha das comissões, mesmo sendo a maior bancada individual da Câmara.

PL amplia força no Congresso

O partido encerrou as eleições de outubro com crescimento expressivo nas duas Casas do Congresso. Na Câmara dos Deputados, conquistou 121 cadeiras, 22 a mais do que na legislatura anterior.

No Senado Federal, a legenda também ampliou sua representação e poderá contar com 28 senadores a partir de 2027, considerando os 19 eleitos e os nove parlamentares que ainda possuem mandato até 2031.

Com esse crescimento, o PL pretende ampliar sua influência nas decisões legislativas e na composição da Mesa Diretora do Congresso.

Rogério Marinho é o nome da oposição para o Senado

A disputa pela presidência do Senado apresenta um cenário diferente. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já anunciou a intenção de indicar Rogério Marinho para concorrer ao cargo contra o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A oposição considera fundamental conquistar o comando da Casa, especialmente diante das divergências envolvendo os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Atualmente, cabe ao presidente do Senado decidir se um pedido de impeachment de ministro do Supremo será aceito ou arquivado. Existem dezenas de solicitações pendentes, incluindo pedidos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.

Marinho tem criticado o que considera excesso de poder concentrado na presidência do Senado e defende mudanças no funcionamento da Casa. Entre as propostas discutidas pela oposição está uma alteração no regimento para permitir que pedidos de impeachment avancem automaticamente quando alcançarem 49 assinaturas.

Composição do Senado também preocupa o governo

A futura composição do Senado poderá ter impacto direto nas articulações do governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá enfrentar maior resistência na aprovação de indicações para os tribunais superiores.

Até o fim do mandato, estão previstas aposentadorias de ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), abrindo espaço para novas indicações presidenciais.

Pela Constituição, os nomes indicados ao Supremo precisam passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e receber aprovação da maioria absoluta dos senadores, pelo menos 41 dos 81 votos.

Dessa forma, a disputa pelo comando do Senado vai além da escolha de um presidente para a Casa: envolve também a influência sobre a agenda legislativa, a relação entre os Poderes e a aprovação de futuras indicações para o Judiciário.

Com a ampliação de sua representação no Congresso, o PL busca transformar o crescimento nas urnas em maior participação nos principais espaços de decisão do Legislativo.

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