O avanço do chamado golpe do falso advogado revela uma realidade preocupante: a criminalidade digital está cada vez mais sofisticada e utiliza a confiança nas instituições para fazer novas vítimas. Os 2.012 relatos recebidos pela OAB de Santa Catarina até outubro de 2026, desde o início da Operação Contragolpe da Ordem, demonstram a dimensão de um problema que ultrapassa os limites da advocacia e atinge diretamente a sociedade.
A estratégia dos criminosos é tão simples quanto perigosa. Utilizando informações verdadeiras de processos judiciais, nomes de profissionais e documentos falsificados, os golpistas entram em contato com cidadãos e solicitam pagamentos para a suposta liberação de valores. A aparência de legitimidade transforma a expectativa de receber um direito em prejuízo financeiro.
O problema também expõe fragilidades na proteção de dados e na segurança das plataformas digitais. Não basta responsabilizar os autores das fraudes depois que o dinheiro desaparece. É necessário ampliar os mecanismos de prevenção, identificação de contas suspeitas e bloqueio de operações criminosas.
Nesse contexto, a mobilização da OAB/SC, em parceria com órgãos de investigação e instituições do sistema de Justiça, representa um movimento importante. As operações policiais realizadas em diferentes estados mostram que o enfrentamento exige integração, inteligência e respostas coordenadas.
Entretanto, o combate não pode depender exclusivamente da atuação policial. Empresas de tecnologia, operadoras de telefonia e instituições financeiras também precisam assumir responsabilidades na construção de ambientes digitais mais seguros.
A população, por sua vez, deve permanecer atenta. Qualquer solicitação de pagamento relacionada a processos judiciais precisa ser confirmada diretamente com o advogado responsável, por canais previamente conhecidos e confiáveis.
Mais do que uma modalidade de estelionato, o golpe do falso advogado representa uma ameaça à credibilidade das relações digitais e à confiança no próprio sistema de Justiça. Combatê-lo é uma responsabilidade coletiva. Afinal, a tecnologia deve aproximar o cidadão de seus direitos, jamais facilitar que criminosos se aproveitem deles.