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Silêncio de Trump após reeleição de Lula evidencia que tensão entre Brasil e EUA vai continuar

Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons

Por: Ewaldo Willerding Neto

26/10/2026 - 13:10 - Atualizada em: 26/10/2026 - 14:52

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não havia se manifestado sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mais de 12 horas após a confirmação do resultado do segundo turno, realizado no domingo (25). A ausência de uma declaração chamou a atenção em meio às manifestações de outros líderes internacionais e reflete, segundo analistas, as tensões nas relações entre Washington e Brasília.

Diferentemente do que ocorreu em 2022, quando o então presidente americano Joe Biden parabenizou Lula pela vitória, Trump não declarou apoio a nenhum dos candidatos durante a campanha brasileira. Em outras disputas na América Latina, como na Colômbia e em Honduras, o republicano manifestou apoio a candidatos de direita.

As relações entre os dois países foram marcadas por divergências durante a campanha. Lula criticou medidas adotadas pelo governo americano, como a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, apontando essas iniciativas como ameaças à soberania nacional.

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Para Anthony Pereira, diretor executivo do Centro para Estudos Latino-Americanos da Universidade Tulane, Trump provavelmente esperava uma aproximação maior com o Brasil caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a eleição. Entre as expectativas estariam a adesão brasileira ao plano de segurança Escudo das Américas e negociações relacionadas à mineração de minerais estratégicos. A vitória de Lula, portanto, representa uma possível frustração para o governo americano.

Já Carlos Frederico Coelho, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), considera incerto se Trump apoiará eventuais contestações de Flávio Bolsonaro ao resultado eleitoral. Para o especialista, ainda é necessário observar a dimensão que essas manifestações poderão alcançar nos próximos dias.

O economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena também alertou para os possíveis efeitos de uma eventual decisão de Trump de não reconhecer o resultado das urnas brasileiras. A preocupação aumentou após críticas à prorrogação do horário de votação feitas por Martin De Luca, advogado de Trump, e por Donald Trump Jr., filho do presidente americano.

Segundo Lucena, caso o governo dos Estados Unidos passe a questionar a legitimidade da eleição e a comparar Lula ao venezuelano Nicolás Maduro, as relações diplomáticas poderão se deteriorar. O cenário também poderia prejudicar a imagem do Brasil perante investidores internacionais e dificultar a atração de novos recursos estrangeiros.

Os analistas ressaltam, porém, que ainda não há confirmação de que Trump adotará uma postura de contestação ao resultado. A ausência de manifestação, por si só, não define os próximos passos da política americana em relação ao Brasil, mas ocorre em um momento de divergências políticas e estratégicas entre os dois governos.

 

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 35 anos de atuação.