A situação de Tifanny Abreu na Superliga Feminina de Vôlei sofreu uma nova reviravolta nesta sexta-feira (23). Em decisões tomadas no mesmo dia, a Justiça Desportiva considerou, por unanimidade, a atleta inelegível para disputar competições organizadas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), enquanto o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) suspendeu a liminar que autorizava sua participação pelo Osasco. Com isso, a jogadora fica, neste momento, sem condição de jogo.
A defesa da atleta, liderada pelo advogado Luis Fernando Novaes, informou ao portal ge que pretende solicitar a reavaliação da decisão no TJRJ e continuar recorrendo às instâncias da Justiça comum.
O caso ocorre às vésperas do próximo compromisso do Osasco na Superliga. A equipe enfrenta o Mackenzie neste sábado (24), às 16h (de Brasília), em Belo Horizonte, pela segunda rodada da competição feminina.
Em nota enviada à imprensa, a CBV afirmou que cumpriu integralmente a decisão judicial anterior enquanto ela esteve em vigor e que continuará seguindo as determinações da Justiça comum e da Justiça Desportiva.
A entidade também reiterou o compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas. Segundo a entidade, sua Política de Elegibilidade é uma norma geral, aplicada igualmente às jogadoras e alinhada aos critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
Entenda a regra
Aos 41 anos, Tifanny disputa a Superliga desde 2017 e está em sua sexta temporada pelo Osasco. Primeira atleta transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro, ela foi diretamente afetada pela política de elegibilidade anunciada pela CBV em agosto.
A nova regulamentação adotou critérios baseados nas diretrizes do COI para a participação na categoria feminina. Entre as exigências está a apresentação de um teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino. De acordo com a política, atletas que não comprovarem o cumprimento dos critérios ficam impedidas de disputar as competições abrangidas pela norma.
A mudança provocou repercussão no meio esportivo e mobilizou manifestações de apoio à jogadora. Gabi Guimarães, capitã da Seleção Brasileira feminina, chegou a criticar publicamente a decisão da CBV antes do Pré-Olímpico, defendendo a permanência de Tifanny na Superliga.
Antes das decisões desta sexta-feira, Tifanny havia obtido uma liminar na Justiça do Rio de Janeiro que suspendia os efeitos da determinação da CBV e autorizava sua participação nas partidas pelo Osasco.
Com a medida provisória, a atleta pôde atuar no confronto contra o Praia Clube, pela Supercopa, em 16 de outubro, e na estreia da Superliga, diante do Brasília, em 19 de outubro.
A liminar, no entanto, tinha caráter provisório. Com a suspensão determinada pelo TJRJ e a decisão da Justiça Desportiva, a autorização deixou de produzir efeitos, impedindo a jogadora de entrar em quadra neste momento.