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Helicóptero que levava Rick já havia apresentado panes antes da queda, aponta Cenipa

Foto Agência Brasil

Por: Dyovana Koiwaski Ruaro

22/10/2026 - 14:10 - Atualizada em: 22/10/2026 - 14:49

O helicóptero que caiu em Urubici, na Serra de Santa Catarina, matando o cantor Rick e outras quatro pessoas, apresentava um histórico de falhas em sistemas importantes nos meses que antecederam o acidente. As informações constam no relatório preliminar divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) nesta quinta-feira (22).

Entre os problemas registrados estão falhas intermitentes nos geradores elétricos, desconexões involuntárias do piloto automático e um episódio de forte vibração no rotor que levou a um pouso não programado.

O relatório, no entanto, não aponta essas falhas como causa confirmada da queda. A investigação ainda está em andamento e analisa a possível combinação de fatores que pode ter contribuído para o acidente.

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Falhas nos geradores

Segundo o Cenipa, a aeronave apresentava problemas intermitentes nos geradores elétricos, principalmente quando era exposta à umidade, como em voos sob chuva ou dentro de nuvens.

Em maio de 2026, os componentes tiveram suas posições trocadas. Depois disso, as falhas passaram a ocorrer alternadamente nos dois geradores.

O mecânico responsável pela manutenção teria recomendado que o helicóptero retornasse à oficina para uma nova avaliação. Segundo o relatório, isso ainda não havia ocorrido antes do acidente.

Problemas no piloto automático

O documento também registra relatos de desconexões involuntárias do piloto automático durante voos.

Em março deste ano, um servo atuador precisou ser substituído depois de uma falha na linha de comando de arfagem, movimento relacionado ao controle do nariz da aeronave para cima ou para baixo.

Helicóptero teve pouso não programado

Outro episódio ocorreu em março, quando o helicóptero precisou realizar um pouso não programado em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, após apresentar uma forte vibração.

De acordo com o relatório, o problema foi relacionado aos amortecedores de vibração do rotor. O sistema passou por reparos e foi novamente avaliado em agosto, quando o funcionamento foi considerado satisfatório.

Condições meteorológicas

Além do histórico de manutenção, o Cenipa aponta as condições meteorológicas como um dos elementos relevantes para a investigação.

No momento do acidente, a Serra Catarinense enfrentava chuva, nuvens baixas, trovoadas, nevoeiro e redução significativa da visibilidade. Avisos meteorológicos indicavam possibilidade de obscurecimento das montanhas na Serra Geral.

Imagens registradas pelo Destacamento de Controle do Espaço Aéreo do Morro da Igreja, localizado a cerca de oito quilômetros do local da queda, também mostraram condições de visibilidade bastante reduzidas.

O helicóptero chegou a ser registrado em vídeo pouco antes de desaparecer em meio a uma camada de nuvens.

Queda foi classificada como voo controlado contra o terreno

O Bell 430 atingiu árvores na encosta norte do Morro Convento dos Padres, a 1.686 metros de altitude, próximo ao cume, que possui 1.790 metros.

O Cenipa classificou a ocorrência como CFIT (Controlled Flight Into Terrain), expressão utilizada para acidentes em que uma aeronave sob controle da tripulação colide involuntariamente contra o terreno.

A classificação, por si só, não determina a causa do acidente. A investigação busca esclarecer por que a aeronave acabou sendo conduzida até a região montanhosa em condições de visibilidade reduzida.

Caixa-preta não registrou o voo

Apesar de o helicóptero estar equipado com um gravador de voz da cabine, o equipamento não possuía registros do voo que terminou no acidente.

Na análise realizada em laboratório, os investigadores encontraram apenas gravações antigas, relacionadas a um serviço de manutenção. O Cenipa também identificou que o teste diário de funcionamento do equipamento não fazia parte da lista de checagem de rotina utilizada pelos pilotos.

Investigação continua

O Cenipa recolheu computadores de bordo, GPS, painéis eletrônicos e unidades de controle dos motores para tentar recuperar informações armazenadas internamente.

Celulares e tablets das vítimas também foram recolhidos e estão sob custódia da Polícia Científica de Santa Catarina.

O relatório divulgado nesta quinta-feira é preliminar, portanto as informações ainda podem ser complementadas ou modificadas durante a investigação. O relatório final será divulgado somente após a conclusão das análises técnicas e laboratoriais.

Até o momento, o Cenipa não apontou uma causa definitiva para a queda.

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