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Santa Catarina pode impor uma derrota ainda mais pesada a Lula

Por: Claudio Prisco Paraíso

20/10/2026 - 07:10

Entramos na derradeira e decisiva semana da disputa presidencial. Domingo, 25, o eleitor dará a palavra final. Em Santa Catarina, a pergunta não é apenas quem vencerá, mas qual será o tamanho da vantagem de Flávio Bolsonaro.

O primeiro turno já deixou um recado contundente. Agora, a direita trabalha para transformar a dianteira numa votação esmagadora.

Sem passagem prevista

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Como já havíamos registrado, não há retorno previsto dos presidenciáveis ao estado. Santa Catarina é o décimo colégio eleitoral, e a concentração das campanhas está nos territórios mais populosos.

Flávio esteve em Porto Alegre na semana passada. Jorginho Mello e Sergio Moro foram à capital gaúcha se incorporar ao anfitrião Luciano Zucco. Três governadores liberais mobilizados pelo mesmo projeto presidencial.

O tripé decisivo

Lula tenta ampliar sua vantagem no Nordeste e conter o avanço adversário em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Não é uma tarefa pequena. São os três maiores colégios eleitorais do país.

Flávio tem nesses estados os governadores vitoriosos Tarcísio de Freitas, Cleitinho e Douglas Ruas. Lula não dispõe de estrutura política equivalente. Uma coisa é subir ao palanque. Outra é contar com lideranças que acabaram de receber o respaldo das urnas.

A primeira onda

Em 2018, Santa Catarina foi atingida em cheio pela onda bolsonarista. Jair Bolsonaro chegou perto dos 76% dos votos válidos no segundo turno contra Fernando Haddad.

Não foi uma vitória qualquer. Foi um atropelamento eleitoral. O conservadorismo catarinense encontrou uma candidatura nacional com a qual se identificava e respondeu de maneira avassaladora.

Lula cresceu pouco

Em 2022, Bolsonaro passou de aproximadamente 62% no primeiro turno para perto de 70% no segundo. Lula saiu de cerca de 29% e terminou com 30%.

A diferença de capacidade de expansão foi brutal. Bolsonaro incorporou uma parcela expressiva dos votos disponíveis. Lula praticamente bateu no teto.

Santa Catarina voltou a mostrar que a resistência ao PT não era um episódio passageiro.

O filho largou acima

Agora, Flávio conquistou 66,65% dos votos válidos já no primeiro turno. Lula ficou com 25,04%.

O filho de Bolsonaro começou acima do desempenho inicial do pai em 2022. O petista, ao contrário, perdeu terreno. São pontos de partida muito distintos.

Flávio pode ultrapassar os 70%? Pode. Aproximar-se dos 75% de 2018? É a ambição da mobilização conservadora. Não é resultado assegurado, mas tampouco uma pretensão descabida.

Força nas ruas

A motociata de sábado em Florianópolis reuniu, segundo estimativa da Polícia Militar divulgada pela imprensa, 15 mil motos e 50 mil participantes.

Jorginho recebeu Moro, Zucco e lideranças dos três estados. Houve também mobilização na água, com a participação de motos aquáticas. Foi uma demonstração vigorosa da força conservadora.

Os três governadores e os seis senadores eleitos no Sul estão alinhados ao projeto de Flávio. É uma estrutura política de peso. Mas bandeira na rua precisa virar comparecimento à urna.

A esquerda reagiu

A esquerda também promoveu concentrações expressivas em Criciúma e Florianópolis. Não há razão para ignorá-las.

O problema é outro: reunir os convertidos não significa ampliar o eleitorado. O desafio de Lula é conquistar quem não votou nele, e não apenas entusiasmar quem já está ao seu lado.

Militância animada ajuda uma campanha. Sozinha, não derruba uma diferença dessa dimensão.

Merísio não entregou

A candidatura de Gelson Merísio expôs essa dificuldade. Terminou com 15,66%, abaixo do desempenho de Décio Lima em 2022 e quase dez pontos atrás de Lula neste primeiro turno.

A expectativa era aproveitar sua passagem pelo PFL e pelo PSD para buscar votos no centro e na direita. Não aconteceu.

Merísio não construiu a ponte prometida. E nem sequer reproduziu integralmente a votação presidencial da esquerda. A estratégia de ampliação terminou numa candidatura eleitoralmente estreita.

O tamanho da resposta

Domingo mostrará se Santa Catarina repetirá algo mais próximo de 2022 ou de 2018.

O primeiro turno foi profundamente desfavorável à esquerda. Lula recuou, Merísio não ampliou e a direita saiu fortalecida.

Agora, não basta comemorar antecipadamente. A eleição exige mobilização até o último instante. Flávio já tem uma vantagem expressiva. O desafio é transformá-la numa diferença ainda maior.

A grande expectativa não é sobre a disposição conservadora de Santa Catarina. É sobre o tamanho da resposta que sairá das urnas.

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