Santa Catarina chega ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026 diante de uma questão que merece atenção: o estado repetirá o comportamento eleitoral registrado em 4 de outubro? A expressiva vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno oferece um retrato das preferências do eleitorado catarinense.
O resultado evidencia características políticas já observadas em eleições anteriores, especialmente a predominância de posições conservadoras e de direita. No estado, Flávio Bolsonaro conquistou 66,65% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 25,04%. Em Jaraguá do Sul, essa diferença foi ainda maior: o candidato do PL alcançou 72,67%, contra 18,90% do petista, demonstrando a força desse perfil eleitoral na região.
Outro aspecto relevante é a abstenção. Mais de um milhão de catarinenses deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno, o equivalente a 18,95% do eleitorado. Trata-se de um contingente expressivo, capaz de alterar o volume de votos no segundo turno, dependendo da participação e das escolhas individuais desses eleitores. A dúvida é se o índice de ausências será semelhante ao registrado em 4 de outubro.
Mais do que uma disputa entre dois projetos políticos, a eleição representa uma oportunidade para refletir sobre a importância da participação democrática. O voto consciente exige informação, disposição para conhecer propostas e capacidade de distinguir fatos de discursos eleitorais.
Nesse contexto, cabe à imprensa oferecer dados confiáveis, contextualizar os resultados e contribuir para um debate público fundamentado, sem transformar a votação anterior em previsão definitiva.
O segundo turno será decidido nas urnas. Independentemente de quem vença, o desafio será construir caminhos para atender às necessidades da população, respeitando a diversidade de opiniões.
No próximo dia 25, Santa Catarina terá novamente a oportunidade de expressar sua vontade democrática. Mais importante do que repetir ou modificar o resultado anterior será garantir que essa decisão seja tomada com consciência, liberdade e responsabilidade.
A participação dos eleitores será fundamental para definir não apenas o resultado da disputa, mas também os rumos políticos do país nos próximos anos.