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O custo de uma decisão

Por: Editorial

16/10/2026 - 06:10

O fim da escala 6×1 reacende uma discussão que vai muito além das relações de trabalho. Coloca em confronto uma legítima demanda por qualidade de vida e as condições reais da economia brasileira para sustentar essa transformação.

A preocupação manifestada por entidades empresariais, como a Fiesc, a CNI e a Fecomércio, não pode ser reduzida a uma simples resistência à ampliação dos direitos trabalhistas. Há uma questão que precisa ser enfrentada com responsabilidade: quem pagará a conta dessa mudança?

Em Santa Catarina, onde a indústria, o comércio e os serviços sustentam milhares de famílias, os alertas merecem atenção. A Fiesc projeta aumento de 11,4% no custo do trabalho e risco para mais de 41 mil empregos. São estimativas, não certezas, mas suficientes para exigir uma análise cuidadosa das consequências.

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É inegável que o trabalhador precisa de descanso, convivência familiar e melhores condições de vida. Entretanto, também é necessário reconhecer que as empresas, especialmente as pequenas e médias, operam sob elevada carga tributária, dificuldades de contratação e margens financeiras muitas vezes apertadas.

Reduzir a jornada por determinação constitucional pode parecer uma solução simples para um problema complexo. Mas uma lei não produz, por si só, os ganhos de produtividade necessários para compensar menos horas trabalhadas.

Se os custos aumentarem sem contrapartidas, parte deles poderá chegar ao consumidor na forma de preços mais altos. Outra consequência possível será a redução de contratações, justamente quando o país precisa ampliar as oportunidades de emprego formal.

O desafio não deveria ser escolher entre o bem-estar do trabalhador e a sobrevivência das empresas. Uma economia saudável depende dos dois.

Por isso, o debate exige mais diálogo e menos simplificações. Negociações coletivas, transições planejadas, qualificação profissional e estímulos à produtividade precisam integrar qualquer transformação dessa dimensão.

O Brasil necessita avançar nas relações de trabalho, mas não pode ignorar suas próprias limitações estruturais. Uma conquista social somente será sustentável se não comprometer os empregos, a competitividade e a capacidade de geração de riqueza que a tornam possível.

Mais importante do que aprovar uma mudança é garantir que ela produza os benefícios prometidos, sem transferir seus custos justamente para a sociedade que pretende beneficiar.

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