De Jaraguá do Sul para o pódio mundial. A confeiteira Juliana Nardelli conquistou o segundo lugar na categoria criativa da Tiramisù World Cup 2026, realizada entre os dias 9 e 11 de outubro, em Treviso, na Itália. Com a receita Il Gioiello dell’Italia (A Joia da Itália), a jaraguaense superou diferentes etapas de uma competição internacional que reuniu participantes de 33 nacionalidades e agora se prepara para assumir um novo papel no evento: o de jurada.
A conquista veio após uma trajetória que começou quase por impulso. Em 2025, Juliana participou pela primeira vez do campeonato, depois de descobrir que as etapas realizadas no Brasil poderiam garantir uma vaga na semifinal italiana. Na ocasião, avançou até a semifinal da categoria clássica e também disputou a criativa, mas não chegou à final.
Neste ano, decidiu tentar novamente, mas por um caminho diferente. Sem participar das seletivas brasileiras, foi diretamente à Itália para disputar as vagas. A escolha significou encarar concorrentes que acumulam anos de experiência no campeonato, alguns deles presentes desde as primeiras edições.
“É um concurso realmente internacional. Não é para confeiteiros profissionais, é para confeiteiros amadores, para gente que faz doce por paixão, assim como eu”, conta Juliana.
A competição funciona em rodadas com grupos de dez participantes, definidos por sorteio. Os confeiteiros preparam suas receitas diante dos jurados e disputam a classificação para as fases seguintes. Na edição deste ano, Juliana avançou para a semifinal tanto na categoria original quanto na criativa. Na primeira, ficou a apenas um ponto da final. Na segunda, garantiu a vaga entre os finalistas e chegou ao grupo dos três melhores do mundo.

Foto: Arquivo pessoal/Juliana Nardelli
Uma joia feita de abóbora e chocolate brasileiro
O resultado internacional foi construído a partir de uma receita que une criatividade, tradição e valorização dos ingredientes da estação. O tema da edição deste ano foi a cozinha italiana, em homenagem à sua importância cultural, e Juliana encontrou na gastronomia uma forma de expressar o que considera um dos maiores patrimônios do país.
“Para mim, a joia mais preciosa da Itália é a cozinha, porque a gastronomia italiana chega a todos os cantos do mundo e leva a Itália para a gente conhecer em qualquer lugar”, explica.
Foi dessa ideia que nasceu o nome Il Gioiello dell’Italia. A criação também valorizou um princípio importante da culinária italiana: o uso de produtos sazonais. Como o outono já havia chegado à Itália, a abóbora se tornou o ingrediente central da receita.
Juliana moldou chocolate meio amargo brasileiro no formato de uma abóbora, incluindo a parte superior da fruta. No interior, acrescentou geleia de abóbora e sementes de abóbora torradas e salgadas, criando um contraste de sabores e texturas.
A preparação exigiu planejamento e precisão. Durante a competição, os participantes têm acesso a uma estrutura limitada, com o micro-ondas como equipamento disponível para auxiliar no preparo. Não há fogão ou geladeira à disposição, o que torna o treinamento prévio ainda mais importante.
Para se preparar, Juliana alugou um pequeno apartamento em Treviso e chegou à cidade alguns dias antes da disputa. Ali, treinou com os ingredientes que seriam utilizados na competição e acompanhou de perto o próprio tempo de execução.
Em casa, seu melhor resultado era de 38 minutos e meio. No dia decisivo, a adrenalina ajudou a reduzir o tempo para 35 minutos.
“Eu estava com uma adrenalina tão gigante, com sangue nos olhos, que consegui fazer em 35 minutos. A vibração do público, a imprensa passando, os jurados falando vários idiomas… é uma emoção que não tem explicação. É incrível”, relembra.

Foto: Arquivo pessoal/Juliana Nardelli
Uma conquista que vai além da medalha
O vice-campeonato também tem um significado especial para Juliana por causa da ligação familiar com a região. Seus antepassados mais antigos conhecidos são de Treviso, a mesma cidade que recebe a competição e que é historicamente associada à origem do tiramisù.
A sobremesa italiana entrou em sua vida aos 20 anos, quando foi estudar na Itália e experimentou o doce em Florença. A experiência marcou o início de uma paixão que, anos depois, a levaria ao pódio mundial. Conhecida também por sua participação no MasterChef Brasil, Juliana transformou o interesse pela gastronomia em uma oportunidade de representar sua cidade e celebrar parte de suas origens.
E a história não termina na medalha. Como vice-campeã, ela passa a integrar o grupo de participantes reconhecidos como Tiramisù Stars, título que garante sua continuidade nos eventos da competição. No próximo ano, deverá atuar como jurada em uma das semifinais e também poderá participar de outras etapas.
Juliana ainda se tornará embaixadora da Tiramisù World Cup, ampliando a participação em iniciativas ligadas ao campeonato e à divulgação da gastronomia italiana.
“É uma honra, porque eu adoro compartilhar as receitas italianas, que são uma boa parte da minha origem e do meu sangue”, afirma.
Mais do que o segundo lugar, a experiência representa a abertura de um novo capítulo. Entre ingredientes sazonais, raízes familiares e uma sobremesa que conquistou os jurados, a jaraguaense encontrou uma maneira de transformar paixão em reconhecimento internacional, e ainda tem muito a contar sobre os dias que viveu na Itália.

Foto: Arquivo pessoal/Juliana Nardelli