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Rapper milionário realiza sonho de infância e estreia como jogador profissional no Brasil

MC Chefin fez sua estreia na semana passada | Foto: Arquivo pessoal

Por: Lucas Pavin

08/10/2026 - 18:10 - Atualizada em: 08/10/2026 - 18:59

Aos 22 anos, Natanael Cauã Almeida de Souza, conhecido como MC Chefin, já realizou alguns dos sonhos que o dinheiro pode proporcionar. O rapper carioca tem carros de luxo, presenteou a mãe com uma casa e recentemente comprou uma mansão no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde vive com a esposa e as duas filhas pequenas.

Com mais de 12 milhões de seguidores nas redes sociais e quase 7 milhões de ouvintes mensais no Spotify, Chefin poderia se dedicar exclusivamente à carreira musical. Mas, nos últimos meses, passou a dividir a rotina de shows com treinos de futebol. O artista acaba de tornar-se jogador profissional e disputa a Série B2 do Campeonato Carioca, equivalente à quarta divisão estadual.

A decisão pode parecer inusitada para quem acompanha a trajetória do rapper, mas, para ele, trata-se da realização de um sonho antigo.

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“Eu posso ter realizado o meu sonho de comprar uma casa, de comprar uma casa para a minha mãe, de poder andar com uma roupa boa, comprar o que eu quero, o que eu almejo. Mas estou vivo, sou novo. Tenho sonhos, vários sonhos”, afirma.

Chefin atua como ponta esquerda e foi inscrito pelo Arouca Barra Clube/Rio de Janeiro, equipe recém-formada. O time é comandado por Souza, ex-volante do Vasco e do Fenerbahçe. O rapper não recebe salário ou qualquer outro tipo de pagamento pela atividade no clube.

Da infância em Bangu aos gramados

A relação de Chefin com o futebol começou ainda na infância. Criado em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ele conta que costumava ser levado pela avó para jogar futebol.

“Desde criança, quando eu tinha 10 anos, 11 anos, eu já treinava futebol. Eu morava em Bangu, na Vila Kennedy. Minha vó me levava sempre para jogar bola, sempre gostei.”

Aos 12 anos, tentou ingressar nas categorias de base do Vasco e do Bangu, mas não foi aprovado. Mesmo assim, nunca abandonou o desejo de se tornar jogador.

A música, porém, acabou mudando o rumo de sua vida. Chefin ganhou projeção nacional em 2022, quando estourou com “212”, faixa que ultrapassou a marca de 200 milhões de reproduções no Spotify.

“Eu sonhava dar o melhor para a minha família. Não consegui realizar o meu sonho de ser jogador porque eu bombei muito novo nas músicas”, conta.

Mesmo depois de alcançar o sucesso e construir um patrimônio milionário, o desejo permaneceu.

“Meus sonhos não acabam na música. Meu sonho é todo dia. Meu sonho de ser jogador não era só quando eu era criança, está em mim até hoje.”

Estreia aos 22 anos

A estreia de Chefin aconteceu na última quinta-feira (1º), na vitória por 2 a 0 sobre o Barra Mansa, em Xerém. O atacante entrou nos minutos finais, permanecendo aproximadamente cinco minutos em campo.

A experiência, segundo ele, foi marcante. “Eu joguei cinco minutinhos. Estava ansioso pra caraca no banco, vendo a rapaziada jogando. Mas só de poder entrar, sentir aquela energia…”

Na segunda-feira seguinte (5), Chefin ganhou mais tempo em campo na goleada por 4 a 0 sobre o Paraty. Entrou na metade do segundo tempo e ajudou a equipe a manter a sequência positiva.

Com duas vitórias consecutivas, o Arouca Barra Clube/Rio de Janeiro se aproximou da parte de cima da tabela. Na Série B2, os quatro primeiros colocados avançam às semifinais, enquanto os finalistas garantem o acesso à Série B1.

Rotina intensa

A nova carreira também trouxe uma mudança significativa na rotina do artista. A maior parte dos treinamentos acontece pela manhã, em um campo na Penha, na Zona Norte do Rio.

Para chegar aos treinos, Chefin acorda por volta das 6h e encara uma viagem de aproximadamente uma hora e meia. A agenda de futebol, no entanto, tem sido organizada de forma a não comprometer os compromissos musicais. Como as partidas do campeonato costumam acontecer durante a semana, ele consegue conciliar as duas atividades.

A rotina também representa uma espécie de retorno à normalidade para o rapper, que está acostumado a ser reconhecido nas ruas.

“Ali, na verdade, eu sinto que não é o Chefin, é o Natanael. Me sinto uma pessoa normal. Porque, às vezes, quando eu saio na rua, alguém diz: ‘Chefin, vamos tirar uma foto’. Ali, não. Ali é muito a sério mesmo. É um querendo vencer, o outro querendo vencer.”

Apesar da fama e do patrimônio construído com a música, Chefin faz questão de afirmar que não está no clube apenas como uma celebridade.

“Eu não estou só pelo que eu sou, não entrei no clube só pelo que eu sou, entendeu? Eu entrei porque me chamaram, eu passei. E estou lá para somar, para ajudar.”

Fora dos palcos e longe dos holofotes, o rapper encontrou no futebol uma oportunidade de realizar um sonho que ficou adormecido durante os anos em que a música passou a ocupar o centro de sua vida.

Em casa, no Recreio, Chefin diz que prefere a tranquilidade à badalação e costuma receber amigos e familiares. No dia em que abriu as portas de sua mansão para a reportagem, mais de dez pessoas estavam no local, entre assessores, empresários, amigos e parentes.

“A verdade é que eu não gosto muito de sair de casa, gosto de ficar aqui.”

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Lucas Pavin

Jornalista esportivo, com a missão de informar tudo o que rola na região, seja na base, amador ou profissional.