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Ele levou Joinville para o mundo’: legado de Juarez Machado é lembrado após a morte do artista

Foto: Reprodução Redes Sociais

Por: Elisângela Pezzutti

07/10/2026 - 09:10 - Atualizada em: 07/10/2026 - 09:46

“Talvez a maior obra não esteja em uma tela, mas em ter mostrado ao Brasil e ao mundo que aqui, Joinville, também produz arte.” A frase da professora e doutora Alena Rizi Marmo resume uma das marcas deixadas por Juarez Machado: a capacidade de projetar a cidade onde nasceu para muito além de suas fronteiras.

Após a morte do artista, aos 85 anos, manifestações de diferentes setores de Joinville destacam justamente essa relação. A prefeita Rejane Gambin ressaltou a contribuição de Juarez para a cultura e para a projeção da cidade, enquanto o Joinville Esporte Clube afirmou que sua história “se confunde com a própria identidade cultural de Joinville”. Nas redes sociais, a reação dos admiradores também veio acompanhada de lembranças sobre suas obras e sobre o museu que leva seu nome.

Para Alena, coordenadora do curso de Artes Visuais da Univille, Juarez foi um artista múltiplo, que transitou por diferentes linguagens e ajudou a levar o nome de Joinville para o mundo.

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“Ele foi desenhista, pintor, escultor, cenógrafo, caricaturista, mímico. Ele foi um artista que transitou com a mesma vitalidade pela tela, pelo bronze, pelo palco. Na década de 70, em um quadro que ele teve no Fantástico, na TV Globo, ele encantou o país”, afirma.

Segundo a professora, a obra de Juarez permanece como parte da memória da cidade.

“Uma obra colorida, irônica, inconfundível, que marcou o tempo dele. Ele encantou o país e foi dali que o nome de Joinville viajou junto com ele. Talvez a maior obra não esteja em uma tela, mas em ter mostrado ao Brasil e ao mundo que aqui, Joinville, também produz arte”, compartilhou.

A prefeita Rejane Gambin também destacou a importância do artista para a identidade cultural do município.

“Joinville é grata ao legado de Juarez Machado à cultura e às artes. Ele ajudou a levar o nome de Joinville para o Brasil e o mundo, deixando sua marca como um artista talentoso. Juarez será sempre lembrado pelas suas obras, personalidade marcante e irreverência. Nossos sentimentos à família, amigos e toda a comunidade artística”, declarou.

A dimensão desse legado também aparece nas manifestações do público. Em uma publicação sobre o artista, uma internauta resumiu a admiração em poucas palavras: “Você foi incrível, suas obras, seu museu. Tudo lindoooo!!!!”.

Foto: Reprodução Redes Sociais

De Joinville para o mundo

Juarez Machado nasceu em Joinville em 16 de março de 1941. Desde cedo, teve contato com diferentes formas de expressão artística. Em 1958, aos 17 anos, começou a trabalhar como designer gráfico no Laboratório Catarinense, onde criou rótulos e embalagens de medicamentos. Na mesma época, também produziu materiais para o Almanaque Renascim.

Aos 19 anos, deixou Joinville para estudar na Escola de Belas Artes, em Curitiba, dando um passo importante para a construção de sua carreira.

Anos mais tarde, no início da década de 1980, Juarez mudou-se para Paris, na França. Foi em Montmartre, bairro conhecido por sua tradição artística, que instalou seu principal ateliê e consolidou parte importante de sua carreira internacional.

Embora tenha construído uma trajetória longe do Brasil, a cidade natal permaneceu presente em sua memória e em sua produção.

“Saí de Joinville, mas Joinville não sai de mim”, afirmou o artista, conforme registrado no documentário “Juarez Machado – Memórias e Reflexões”.

A relação com a cidade ganhou uma expressão concreta com a criação do Instituto Juarez Machado, fundado pelo artista ao lado do irmão, Edson Busch Machado. O espaço nasceu de uma promessa feita por Juarez quando deixou Joinville para estudar: um dia voltar e criar um lugar dedicado à produção, ao aprendizado e à difusão da arte.

Em 2015, a ligação do artista com Joinville também foi reconhecida oficialmente. Juarez recebeu a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca, maior honraria concedida pelo município, pelas contribuições para o engrandecimento da cidade. Anteriormente, em 1982, havia recebido da Câmara de Vereadores o título de Cidadão Benemérito.

Foto: Reprodução Redes Sociais

Uma trajetória que passou por diferentes linguagens

A carreira de Juarez não ficou restrita à pintura. Ao longo da vida, o artista trabalhou como desenhista, escultor, caricaturista, cenógrafo e mímico, explorando diferentes possibilidades de expressão.

Uma de suas passagens mais conhecidas pelo público brasileiro aconteceu no Fantástico, da TV Globo, na década de 1970. O programa ajudou a tornar seu trabalho e sua figura conhecidos nacionalmente.

Mais tarde, a mudança para a Europa ampliou ainda mais sua atuação artística. De Paris, Juarez construiu uma carreira internacional, com trabalhos e exposições em diferentes países, incluindo França, Itália e Estados Unidos.

Mesmo com a projeção internacional, Joinville continuou aparecendo como referência em sua obra e em suas lembranças. A cidade das bicicletas, da chuva e de sua infância permaneceu como uma espécie de ponto de partida para uma trajetória que alcançaria diferentes partes do mundo.

Até o momento não foram divulgadas informações sobre o velório e sepultamento.

Documentário recupera histórias de Juarez

A trajetória do artista também está sendo revisitada no documentário “Juarez Machado – Memórias e Reflexões”. A produção reúne falas e depoimentos de Juarez, além de relatos de amigos e familiares, e recupera momentos importantes de sua carreira.

Entre os episódios abordados estão suas participações no Fantástico, exposições, a criação do Instituto Juarez Machado e sua relação com Joinville.

Jay Alan Thomas, diretor do Instituto e produtor do documentário, explica que a produção nasceu também da necessidade de apresentar a trajetória do artista às novas gerações.

“A gente recebe muitas crianças no Instituto Juarez Machado, estudantes de escolas públicas, particulares, e eles sempre vêm com perguntas como: ‘Ah, ele é joinvilense?’ ou ‘Como ele iniciou a carreira dele?’. Diante disso, pensamos: por que a gente não faz um documentário e veiculamos para todos os joinvilenses? E assim surgiu a oportunidade, quando concorremos no edital do Simdec, a lei de incentivo cultural do município, e fomos contemplados”, conta.

O documentário segue com sessões programadas em Joinville:

  • 9 de outubro: às 15h, no CEU Aventureiro;

  • 10 de outubro: às 11h e às 14h, no Instituto Internacional Juarez Machado;

  • 13 de outubro: a partir das 19h30, no Paradigma Cine Arte, na Rodovia José Carlos Daux, 8600 – Bloco 2, Sala 2.

A história de Juarez Machado, assim, permanece ligada à cidade onde começou. Se sua arte ganhou o mundo, Joinville continuou sendo uma referência constante em sua trajetória — e parte importante do legado que agora passa a ser preservado por meio de suas obras, do Instituto e das memórias de quem acompanhou seu trabalho.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.