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A sorte está lançada: voto útil e abstenção podem decidir o destino de Lula

Por: Claudio Prisco Paraíso

03/10/2026 - 06:10

A sorte praticamente está lançada. Na véspera de 4 de outubro, o Brasil chega às urnas com uma eleição encabritada, polarizada e carregada de sutilezas. Lula da Silva e Flávio Bolsonaro concentram as preferências e enfrentam rejeição elevada. Nas simulações de segundo turno, os levantamentos mostram uma disputa apertada. Não há espaço para salto alto.

Quem vai votar?

A primeira incógnita é a abstenção. Uma coisa é declarar preferência ao pesquisador. Outra é sair de casa e confirmar o voto. Numa disputa equilibrada, essa diferença pode custar a Presidência.

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O eleitor que se omite também interfere no resultado. As pesquisas podem investigar a disposição de comparecer, mas não antecipam com exatidão quem efetivamente chegará à urna.

O risco da ausência

Lula tem força entre os eleitores com mais de 60 anos, de menor renda e, majoritariamente, localizados no Nordeste. Se a ausência atingir proporcionalmente mais sua base, sofrerá as consequências. Na média das últimas eleições, a elevada abstenção tem subtraído em torno de dois pontos percentuais dos candidatos do PT, considerando os derradeiros prognósticos dos institutos de pesquisa. O desconto está longe de ser automático, mas tem marcado presença no contexto das apurações.

O problema permanece: intenção de voto que não chega à urna não elege ninguém. Campanha que confunde preferência declarada com voto assegurado pode levar um susto desagradável.

A hora do voto útil

O outro ingrediente é o voto útil. Caiado, Zema, Augusto Cury e Renan Santos disputam espaço numa eleição dominada pelos dois principais concorrentes.

Essa transferência não ocorre por decreto. Mas, quando a polarização aperta, as candidaturas menores ficam espremidas. É a hora em que o eleitor decide entre manter sua primeira escolha e reforçar quem pode derrotar seu adversário comum.

Liquidar no domingo?

Uma concentração expressiva de votos em Flávio, combinada com abstenção nordestina, poderia aproximá-lo de uma vitória no primeiro turno. Ainda assim, liquidar a disputa no domingo constitui-se em missão desafiadora.

O Datafolha divulgado em 1º de outubro mostrou Lula com 45% dos votos válidos e Flávio com 40%. Nenhum alcançava a maioria necessária. Lula também pode buscar uma definição imediata. Para ambos, seria preciso avançar além do quadro medido.

O desgaste petista

O antipetismo é um combustível poderoso. Segurança pública, custo de vida e responsabilidade fiscal oferecem terreno para confrontar Lula. Depois de quase 20 anos no poder, o PT não pode tratar toda insatisfação como incompreensão do eleitor.

A gastança merece cobrança dura. Quem administra recursos públicos precisa entregar resultado. Propaganda não substitui segurança nas ruas nem tranquilidade no orçamento familiar. O eleitor não tem obrigação de agradecer por uma vida que continua apertada.

Jorginho confortável

Em Santa Catarina, Jorginho Mello chega em situação bem mais confortável. A Quaest de 24 de setembro mostrou o governador com 54% das intenções de voto. O caminho para a reeleição no primeiro turno está pavimentadíssimo.

Uma votação ainda mais expressiva consolidaria sua liderança estadual e ampliaria seu peso no campo conservador. A dimensão dessa vitória, se confirmada, será conhecida na apuração. Mas os adversários chegam à reta final correndo atrás de uma distância considerável.

A briga pelo segundo

Gelson Merísio tem condições de concentrar os votos de Lula e da esquerda e ultrapassar João Rodrigues, se é que já não ultrapassou. Na mesma Quaest, João apareceu com 13% e Merísio com 10%, tecnicamente empatados.

João entrou para enfrentar Jorginho e agora precisa defender a segunda posição. É o retrato cruel de uma candidatura que não ganhou a força pretendida. Merísio pode crescer sobre esse esvaziamento. João corre o risco de terminar desidratado.

Senado imprevisível

No Senado, a eleição continua eletrizante. Carol de Toni, Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin formam o primeiro pelotão numérico, em empate técnico.

O segundo voto, a rejeição e a mobilização final tornam temerário qualquer prognóstico. São duas vagas e nenhuma cadeira reservada. A sorte está praticamente lançada. A sentença pertence ao eleitor.

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