O perfil do eleitorado catarinense para 2026 revela muito mais do que números. São 5,7 milhões de pessoas aptas a votar, em um estado onde as mulheres são maioria, os adultos concentram a maior parcela dos eleitores e mais da metade do cadastro é formado por pessoas solteiras. É um retrato demográfico relevante, mas que não deve ser confundido com um retrato político.
Idade, gênero ou estado civil ajudam a compreender quem estará diante das urnas, mas não antecipam escolhas. E talvez essa seja a principal leitura que os dados permitem: o eleitorado catarinense é numeroso e diverso demais para caber em interpretações simplificadas.
A maior concentração está entre os adultos, justamente uma parcela da população que vive, de forma intensa, questões ligadas ao trabalho, à renda, à família, à moradia e aos serviços públicos. Ao mesmo tempo, quase 589 mil pessoas com 70 anos ou mais também poderão participar do processo eleitoral, ainda que para elas o voto seja facultativo. Na outra ponta, mais de 45 mil jovens de 16 e 17 anos estão habilitados a votar.
São gerações distintas dividindo a responsabilidade de decidir os rumos do Estado e do País.
À medida que a eleição se aproxima, porém, conhecer quem vota é apenas parte da discussão. A questão central está em como se vota. Em uma campanha marcada pela velocidade das redes sociais, pelo excesso de informações e por conteúdos que disputam atenção a todo instante, o exercício do voto exige mais do que comparecer à seção eleitoral.
Exige disposição para conhecer propostas, confrontar informações, acompanhar trajetórias e separar fatos de discursos construídos apenas para provocar reação imediata.
A democracia não ganha qualidade simplesmente porque milhões estão aptos a votar. Ela se fortalece quando o eleitor compreende a dimensão da própria escolha.
Santa Catarina já conhece o tamanho e parte do perfil de seu eleitorado. No dia 4 de outubro, o desafio será outro: fazer com que esses milhões de votos sejam exercidos com informação, reflexão e responsabilidade.