Em 16 de setembro de 1961, três profissionais uniram conhecimentos e experiências para empreender em Jaraguá do Sul. O eletricista Werner Ricardo Voigt, o administrador Eggon João da Silva e o mecânico Geraldo Werninghaus fundaram a Eletromotores Jaraguá, uma pequena fábrica dedicada inicialmente à produção de motores elétricos.
A empresa nasceu com capital inicial de Cr$ 3.600 e, ainda nos primeiros anos, passou a adotar o nome WEG, formado pelas iniciais dos três fundadores. A partir de então, começou a construir uma trajetória marcada pela expansão da produção, formação de profissionais, desenvolvimento tecnológico e entrada em novos mercados.

Foto: Divulgação/WEG
O que começou em Jaraguá do Sul como uma pequena indústria de motores cresceu ao longo das décadas e se transformou em uma multinacional, com fábricas em 18 países, filiais em 44 países e produtos presentes nos cinco continentes. Em 2026, a WEG chega aos 65 anos mantendo sua sede em Jaraguá do Sul e uma operação que alcança diferentes mercados ao redor do mundo.
Três experiências que deram origem à WEG
Antes de fundarem a empresa, Werner, Eggon e Geraldo já tinham experiências profissionais distintas, que depois se complementariam na WEG.

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Werner Ricardo Voigt nasceu em 8 de setembro de 1930. Desde criança, interessava-se por eletricidade e por publicações técnicas. Na adolescência, mudou-se para Joinville, estudou no SENAI e trabalhou em uma oficina. Depois do serviço militar, especializou-se em radiotelegrafia e eletrônica na Escola Técnica Federal.
Em setembro de 1953, abriu uma pequena oficina no Centro de Jaraguá do Sul, onde fazia serviços gerais e manutenção de veículos. O conhecimento adquirido nessa trajetória seria aplicado no desenvolvimento do primeiro motor da empresa. Werner idealizou o protótipo e assumiu a liderança técnica da fábrica.
Eggon João da Silva nasceu em 17 de outubro de 1929, onde hoje fica Schroeder. Começou a trabalhar aos 13 anos, em um cartório de Jaraguá do Sul. Em 1957, após 14 anos no principal banco do Estado, tornou-se sócio da João Wiest & Cia. Ltda., fabricante de canos de escape para veículos.
Em 1961, deixou a sociedade, então com 150 funcionários, para criar uma nova empresa com Werner e Geraldo. Na WEG, assumiu a presidência e permaneceu no cargo até 1989, acompanhando as primeiras décadas de expansão da companhia.
Geraldo Werninghaus nasceu em Rio do Sul, em 26 de novembro de 1932. Começou a trabalhar na oficina do pai, a Werninghaus & Filhos, em Joinville. Aos 14 anos, iniciou o aprendizado como mecânico, desenvolvendo experiência com máquinas e produção.
Em 1961, aos 29 anos, aceitou o convite para formar a sociedade que daria origem à WEG. Ficou ligado à produção e às equipes da fábrica, aplicando seus conhecimentos de mecânica.
Werner, Eggon e Geraldo reuniram, assim, experiências em áreas diferentes: técnica, administração e produção. O nome WEG surgiu posteriormente das iniciais dos três fundadores.
Os primeiros anos e a formação de pessoas

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Nos primeiros anos, a prioridade foi consolidar a produção de motores elétricos e criar uma estrutura capaz de sustentar o crescimento. Em 1964, a empresa iniciou a construção do Parque Fabril I.
O avanço da indústria trouxe também um desafio: formar profissionais preparados para trabalhar em um setor que ainda estava em desenvolvimento na região. Em 1968, a WEG criou o CentroWEG, iniciativa voltada à capacitação dos colaboradores.
A formação de pessoas se tornou uma característica que acompanharia a empresa ao longo das décadas. Atualmente, a companhia contabiliza mais de 5.500 engenheiros e mantém 81 cursos em seu Centro de Treinamento de Clientes. Desde 2000, mais de 91 mil clientes foram treinados.
De motores a um portfólio diversificado

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A produção de motores permaneceu como uma das bases da WEG, mas a companhia começou a ampliar as atividades a partir da década de 1980.
Entraram no portfólio componentes eletroeletrônicos, produtos para automação industrial, transformadores de força e distribuição, tintas líquidas e em pó e vernizes eletroisolantes. Com isso, a empresa passou gradualmente de uma fabricante de motores para uma fornecedora de sistemas e soluções para diferentes etapas dos processos industriais.
Hoje, o portfólio reúne mais de 1.500 linhas de produtos. Entre as principais áreas de negócios estão equipamentos eletroeletrônicos industriais, geração, transmissão e distribuição de energia, motores comerciais e para eletrodomésticos, além de tintas e vernizes.
A estratégia de diversificação permitiu que a companhia acompanhasse mudanças no mercado e ampliasse sua atuação para diferentes segmentos, como infraestrutura, siderurgia, papel e celulose, petróleo e gás e mineração.
As primeiras exportações e a internacionalização

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A expansão da WEG para além do mercado brasileiro começou ainda nos primeiros anos. Em 1970, a empresa iniciou as primeiras exportações para países da América Latina. No ano seguinte, suas ações passaram a ser negociadas em bolsa.
A internacionalização ganhou velocidade a partir da década de 1990, quando a companhia passou a abrir filiais em diferentes países e, posteriormente, instalar e adquirir unidades industriais no exterior.
Estados Unidos, México, Portugal, Argentina e China estiveram entre os primeiros mercados a receber operações produtivas da WEG. Nas décadas seguintes, a presença internacional continuou crescendo por meio da abertura de fábricas, novas unidades e aquisições.
O resultado é uma operação distribuída globalmente. Atualmente, a WEG possui unidades industriais em 18 países e presença comercial em mais de 135 países.
Uma indústria cada vez mais tecnológica

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A expansão da WEG também acompanhou a transformação tecnológica da indústria.
Ao longo dos anos, a companhia ampliou investimentos em pesquisa, desenvolvimento, inovação e qualidade. Mais recentemente, avançou em áreas como eficiência energética, digitalização industrial, inteligência artificial, visão computacional, automação e sistemas associados à Indústria 4.0.
A estratégia também alcançou novos mercados relacionados à transição energética, como energias renováveis, mobilidade elétrica e armazenamento de energia.
Esse movimento mantém uma característica presente desde a origem da empresa: a busca por desenvolver internamente conhecimento e tecnologia para ampliar a capacidade de oferecer soluções aos clientes.
Os números ajudam a dimensionar essa escala. A WEG já fabricou mais de 1,1 bilhão de produtos de automação e produz anualmente mais de 19 milhões de motores e mais de 76 mil MVA em transformadores. A produção também inclui mais de 291 mil MVA em geradores.
Pessoas, cultura e participação na comunidade

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A formação de pessoas permanece entre as prioridades da WEG. A empresa investe no desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores e em ações voltadas à saúde e à educação nas comunidades em que atua.
Essa relação com a comunidade também é particularmente forte em Jaraguá do Sul, cidade onde a história da empresa começou. Durante a Expo 150, realizada em julho, o presidente executivo da WEG, Alberto Yoshikazu Kuba, destacou justamente essa ligação entre a trajetória da companhia e a do município.
“Esse é um ano muito especial para nós. Jaraguá do Sul completa 150 anos, e a WEG, 65. A história da nossa empresa está muito relacionada ao desenvolvimento de Jaraguá do Sul nos últimos 65 anos. A cultura dos fundadores nos ensina que não existe uma empresa de sucesso se a cidade não vai bem. Então, a WEG sempre incentivou todos os executivos e colaboradores a participarem ativamente da comunidade.”

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Da pequena fábrica ao mundo
A história da WEG começou com uma sociedade formada por três profissionais que reuniram conhecimentos diferentes para produzir motores elétricos em Jaraguá do Sul.

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A partir daquele primeiro negócio, vieram a construção de novas estruturas, a formação de profissionais, as exportações, a diversificação do portfólio, a internacionalização, as aquisições, os investimentos em tecnologia e a entrada em novos mercados.
O que permaneceu ao longo desse processo foi a ideia de construir uma empresa capaz de crescer sem perder a simplicidade, a inovação e a proximidade com a comunidade que acompanhou seus primeiros passos.
Em 2026, ao completar 65 anos, a WEG chega ao aniversário como uma das grandes empresas industriais brasileiras, com operações espalhadas pelo mundo e uma trajetória que permanece diretamente ligada à história de Jaraguá do Sul.
A pequena fábrica de motores fundada em 1961 se tornou uma multinacional. Mas sua origem continua sendo a mesma: três profissionais, três áreas de conhecimento e uma decisão de empreender em uma cidade que também estava construindo sua própria história industrial.