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A terceira onda bolsonarista se forma sobre Santa Catarina

Por: Claudio Prisco Paraíso

10/09/2026 - 06:09

Estamos a exatos 25 dias das eleições. A propaganda eleitoral gratuita estreou há pouco mais de dez dias, mas ainda não motivou, envolveu ou despertou o interesse da opinião pública.

Em Santa Catarina, os candidatos percorrem municípios e cumprem suas maratonas, mas encontram pouca gente e despertam ainda menos entusiasmo.

Campanha sem temperatura

O eleitor parece distante da disputa pelo governo. A apatia atinge ainda mais os candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, obrigados a disputar atenção entre centenas de nomes.

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O Senado provoca alguma curiosidade. Esperidião Amin tenta a reeleição carregando décadas de experiência. Antídio Lunelli representa a força empresarial. Caroline De Toni é uma das revelações da direita. E Carlos Bolsonaro transferiu seu título para o Estado e entrou numa disputa congestionada.

O voto olha para Brasília

A explicação está no cenário nacional. As revelações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, os contratos milionários do Banco Master com o escritório da família do ministro e a guerra dentro do Supremo transformaram Brasília no centro da eleição.

O 7 de Setembro completou o quadro. A crise saiu dos gabinetes, chegou às ruas e entrou definitivamente na campanha. Já não bastavam os abusos atribuídos durante anos a Moraes e companhia limitada. Agora o próprio ministro está no centro de fatos graves que exigem explicações.

O jogo virou.

Flávio reage

As pesquisas já captam o movimento. Na Quaest, Flávio Bolsonaro e Lula aparecem numericamente empatados, com 41% para cada um no segundo turno.

Na BTG/Nexus, Flávio ultrapassou Lula: 46% a 45%. O Meio/Ideia registrou 46% para cada um. No primeiro turno, a distância caiu para pouco mais de um ponto: 38,4% para Lula e 37,3% para Flávio.

São empates técnicos, mas a direção é evidente. Acabou a vantagem confortável do petista. Flávio cresce, enquanto Lula percebe o adversário ao seu lado.

Alerta no Planalto

A desaprovação do governo Lula chegou a 50%, contra 43% de aprovação. O petista perde força no Nordeste, seu principal reduto, e enfrenta desgaste entre homens e jovens.

Entre os evangélicos, Flávio abriu vantagem. Na BTG/Nexus, aparece com 45% no primeiro turno, contra 27% de Lula. Num confronto direto, a diferença aumenta para 58% a 31%.

O alerta já deve estar tocando de forma ensurdecedora no Palácio do Planalto.

Jorginho na onda

Com toda a atenção voltada para Brasília, as eleições estaduais ficaram menores. Isso favorece quem lidera e dificulta a reação dos adversários.

Em Santa Catarina, a nacionalização beneficia Jorginho Mello. Desde 2018, o Estado consolidou-se como o território mais conservador e bolsonarista entre os maiores colégios eleitorais do país.

Se a campanha estadual continuar morna e a presidencial esquentar, Jorginho terá condições de transformar sua ligação com Jair e Flávio Bolsonaro numa vitória confortável, possivelmente no primeiro turno.

A terceira onda bolsonarista favorece Jorginho, fortalece as candidaturas de direita à Assembleia e cria condições para uma bancada federal expressiva.

O risco no Senado

Para o Senado, entretanto, o PL não tem a garantia das duas vagas. Amin conserva uma base histórica. Lunelli, além da força no setor produtivo, constitui-se no azarão do pleito, com perfil amplamente diferenciado. De Toni e Carlos Bolsonaro disputam o voto mais identificado com o ex-presidente.

O PL pode eleger dois senadores, mas também corre o risco de dividir sua base e conquistar apenas uma vaga. O eleitor terá dois votos, e será necessária organização para que a fragmentação não desperdice a maior onda política do Estado.

Vinte e cinco dias

Lula perde terreno. Flávio cresce. O Supremo ocupa o centro da crise. E Santa Catarina prepara-se para repetir o movimento de 2018 e 2022.

A terceira onda bolsonarista já pode ser vista no horizonte. Quando chegar, deverá carregar Jorginho Mello, fortalecer a direita e redesenhar a disputa pelo Senado.

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