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Chega de se falar em “correria”!!!

Foto: IA

Por: Emílio Da Silva Neto

04/09/2026 - 07:09

Quando escuto alguém dizer que “está tudo corrido”, confesso que me dá vontade de, deselegantemente, perguntar: “puxa vida, não dava para falar algo um pouco mais original, menos batido, não automático e, consequentemente, menos aborrecido de escutar ?!?”
Afinal, parece que “todo mundo” entrou numa maratona sem linha de chegada: todos correndo, atrasados, enlouquecidos, com agendas explodindo e muitos sem tempo nem para dizer que “não têm tempo”… daqui a pouco, vai-se responder ao simples “tudo bem?” com um “bem, não, está tudo muito corrido”.

Sim, o “está tudo corrido” já virou o “arroz com feijão” das conversas modernas. Daqui a pouco, quem sabe, inventarão um campeonato mundial de quem está mais corrido, com medalha de ouro para quem responder mensagens no elevador, tomar café em pé e almoçar olhando o e-mail.

O fato é que no século 21, o tempo adquiriu uma nova camada de complexidade. Nunca a humanidade teve tantos aparatos voltados para “poupar tempo” e, paradoxalmente, nunca as pessoas se sentiram tão sem tempo. A automação, os algoritmos e a conectividade constante prometeram a libertação das tarefas repetitivas, mas entregaram uma hiper aceleração do cotidiano.

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Ou seja, as redes sociais e as plataformas digitais competem ferozmente pelos nossos minutos e segundos, em que cada acesso é um fragmento de tempo roubado da vida real, como que criando uma tirania da urgência, afastando-nos da reflexão profunda e da contemplação. Em outras palavras, o tempo gasto no piloto automático digital passou a ser tempo não investido no nosso autoconhecimento, nossas relações humanas genuínas e no descanso restaurador.

Por isso, recuperar a soberania sobre o próprio tempo na era digital exige limites firmes, com a plena consciência de que desconectar-se não é ato de nostalgia ou rejeição ao progresso, mas sim uma defesa intransigente da própria liberdade e do direito de decidir onde investir a energia vital.

Todo investimento de tempo é, em última análise, uma escolha de valores. Por exemplo, quando dizemos que “não temos tempo” para praticar um esporte, ler um livro, cuidar da saúde ou conversar com um ente querido, estamos na verdade, infelizmente, revelando que essas atividades ocupam uma prioridade inferior na nossa escala de importâncias.

Em resumo, a gestão do tempo não se resume a planilhas rígidas de produtividade ou métodos corporativos de otimização de tarefas. Trata-se de alinhamento ético e existencial, em que perguntar-se “como estou gastando os meus dias ?!?” deve ser concomitante ao “em que tipo de pessoa estou me transformando?!?”.

Por fim, fica o convite para uma pausa: olhando para o relógio não com a angústia da cobrança, mas com a reverência de quem segura nas mãos um recurso insubstituível, que tal escolher-se, com sabedoria, onde colocar o foco, abraçando o presente com intensidade e lembrando-se de que cada dia é uma página em branco, que nunca mais poderá ser reescrita?!? Sim, porque a nossa maior riqueza já está em nossa posse… só cabendo a cada um de nós decidir como investi-la.

Aqui, vale lembrar Sêneca (04 a.C. – 65 d.C): “não é porque as coisas são difíceis que não ousamos; é porque não ousamos que elas são difíceis”.

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Emílio Da Silva Neto

Consultor especializado em profissionalização, governança e sucessão empresarial familiar. Com vasta experiência, Emílio da Silva Neto é PhD/Dr.Ing, Pós-Doc, Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante, Professor e Sócio da 3S Consultoria Empresarial Familiar. Redes sociais: emiliodsneto | www.consultoria3s.com