O caso Daniel Vorcaro deixou de ser apenas um escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. As mensagens, encontros e documentos revelados pela investigação colocam sob escrutínio o Supremo Tribunal Federal e cobra resposta pública.
É preciso evitar condenações antecipadas. Mas também é impossível tratar como banal a proximidade entre um banqueiro investigado e o ministro Alexandre de Moraes, especialmente quando surgem pedidos de ajuda, referências a autoridades e um contrato milionário com o escritório ligado à esposa do magistrado.
As mensagens não provam que Moraes tenha atendido aos pedidos de Vorcaro. Porém, o conjunto revelado é grave e exige respostas. Quanto maior o poder, maior deve ser a obrigação de explicar.
A retirada do sigilo pelo ministro André Mendonça foi necessária. Quando a suspeita alcança quem julga os outros, transparência deixa de ser opção e passa a ser dever.
O STF não pode exigir confiança da sociedade enquanto dúvidas dessa dimensão permanecem sem esclarecimento. A credibilidade da Corte não se protege abafando questionamentos, mas enfrentando-os com apuração e rigor.
Moraes tem direito à defesa e à presunção de inocência. Mas cargo, toga ou influência não podem servir de escudo contra perguntas legítimas.
Agora, é preciso apurar encontros, mensagens e possíveis conflitos de interesse. Se tudo ocorreu dentro da legalidade, que isso seja demonstrado. Se houve irregularidade, que haja responsabilização.
O caso Master tornou-se um teste para o Supremo. A resposta precisa mostrar que ninguém está acima da lei — principalmente quem tem o dever de aplicá-la.