O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento para apurar a integridade estrutural da Ponte Anita Garibaldi, localizada no Km 316 da BR-101, em Laguna, após relatos sobre o rompimento de cabos centrais na estrutura. A apuração busca identificar as causas das falhas recentes e de danos registrados nos últimos anos, além de cobrar medidas de segurança para os motoristas que trafegam pelo local.
Após questionamentos do MPF, em procedimento conduzido pelo procurador da República Carlos Augusto de Amorim Dutra, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a concessionária Via Costeira informaram que novas irregularidades foram constatadas no trecho estaiado da ponte – estrutura sustentada por cabos de aço (estais) tensionados que ligam o tabuleiro da via diretamente às torres centrais.
Laudos técnicos identificaram o rompimento parcial dos cabos do vão central. Diante dos novos danos, a concessionária adotou um plano de correção emergencial elaborado por empresa projetista especializada e liberou o tráfego apenas nas duas faixas centrais, com restrição de peso para veículos.
Além disso, a concessionária relatou que foram realizadas intervenções na ponte para assegurar o reforço estrutural. A primeira etapa, de caráter emergencial, compreendeu a aplicação de incremento de forças em quatro estais – dois centrais e dois laterais.
Segundo o relatório técnico da empresa, cada fase foi condicionada a verificações técnicas prévias, rigorosamente observadas durante toda a execução dos serviços.
Histórico de problemas
Esta não é a primeira intervenção emergencial na estrutura. Em 2022, a concessionária já havia identificado problemas no mesmo pilar, com o rompimento de barras de ligação da laje inferior e risco à estabilidade da obra. À época, foram executadas obras de reforço e o tráfego de veículos pesados precisou ser desviado temporariamente para a Ponte das Laranjeiras (Cabeçuda). Testes de carga realizados em março de 2023 haviam sinalizado o restabelecimento da rigidez da ponte.
Investigação de defeitos de construção
A ANTT informou ao MPF que instaurou processo administrativo para apurar se os problemas recorrentes têm relação com eventuais vícios ocultos de construção. A obra da ponte foi executada sob a gestão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e passou a integrar o contrato de concessão da BR-101 em agosto de 2020. De acordo com a agência reguladora, o termo de recebimento definitivo da obra pelo Dnit ainda depende de decisão em demanda judicial referente ao empreendimento.
A Via Costeira relatou que realiza inspeções anuais no local e que segue monitorando a estrutura em conjunto com projetistas especializados.