Em 16 de setembro de 1961, três profissionais decidiram unir conhecimentos e empreender em Jaraguá do Sul. O eletricista Werner Ricardo Voigt, o administrador Eggon João da Silva e o mecânico Geraldo Werninghaus fundaram a Eletromotores Jaraguá, uma pequena fábrica dedicada à produção de motores elétricos.

Foto: Divulgação/WEG
O capital inicial era de apenas Cr$ 3.600. O cenário também estava longe de indicar a dimensão que aquele negócio alcançaria. Mas havia entre os fundadores uma visão clara sobre o potencial da indústria e sobre a necessidade de desenvolver, na região, uma empresa capaz de produzir equipamentos elétricos com qualidade e tecnologia.
A Eletromotores Jaraguá cresceu, ganhou o nome WEG, formado pelas iniciais de Werner, Eggon e Geraldo, e iniciou uma trajetória que, 65 anos depois, transformaria aquela pequena fábrica em uma multinacional com presença nos cinco continentes.
Os primeiros passos de uma indústria

Foto: Divulgação/WEG
Os primeiros anos foram dedicados à consolidação da produção de motores e à construção de uma estrutura própria. Em 1964, a empresa iniciou a construção do Parque Fabril I. Pouco depois, percebeu que crescer também dependia de formar profissionais para uma indústria que ainda estava em desenvolvimento.
Em 1968, criou o CentroWEG, iniciativa pioneira na região voltada à capacitação de colaboradores. A formação de pessoas se tornaria, ao longo das décadas, uma das características da companhia.
A expansão veio acompanhada da busca por novos mercados. Em 1970, a WEG iniciou as primeiras exportações para países da América Latina. No ano seguinte, as ações passaram a ser negociadas em bolsa. Na década seguinte, a empresa começou a diversificar seus negócios e deixou gradualmente de ser conhecida apenas como fabricante de motores.
Entraram no portfólio produtos e soluções para automação industrial, transformadores, geração e distribuição de energia, além de tintas, vernizes e outros componentes. A estratégia permitiu que a companhia atendesse diferentes etapas dos processos industriais e acompanhasse as transformações tecnológicas do mercado.
A partir dos anos 1990, esse movimento ganhou escala internacional. A WEG abriu filiais em diferentes países e, posteriormente, passou a instalar e adquirir unidades industriais no exterior. Estados Unidos, México, Portugal, Argentina e China estiveram entre os primeiros mercados a receber operações produtivas da companhia.

Foto: Divulgação/WEG
Da indústria brasileira à multinacional
Já ao longo dos anos 2000 e 2010, a WEG acelerou a expansão por meio da abertura de fábricas, criação de novas unidades e aquisição de empresas no Brasil e no exterior.
O portfólio continuou crescendo e passou a abranger motores, geradores, transformadores, acionamentos, automação, sistemas de geração e transmissão de energia, tintas e vernizes, entre outras soluções.

Foto: Divulgação/WEG
Ao mesmo tempo, a tecnologia passou a ocupar espaço cada vez maior na estratégia da companhia. A empresa avançou em eficiência energética, digitalização industrial, inteligência artificial e sistemas voltados à chamada Indústria 4.0.
Essa evolução ficou evidente especialmente nos últimos anos. A WEG incorporou empresas e startups ligadas a inteligência artificial, visão computacional, automação e controle de processos. Também ampliou sua atuação em energias renováveis, mobilidade elétrica e armazenamento de energia.
Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, a estrutura industrial da companhia foi mobilizada para produzir ventiladores pulmonares destinados ao atendimento de pacientes em estado grave. Foi um exemplo de como a capacidade produtiva e tecnológica desenvolvida ao longo de décadas poderia ser direcionada rapidamente para uma necessidade emergencial.
A expansão internacional também continuou. Nos últimos anos, a WEG inaugurou e ampliou operações na Europa, África, Ásia e América do Norte, além de realizar novas aquisições estratégicas.
Em 2022, a companhia lançou seu Programa de Carbono Neutro, estabelecendo metas para reduzir as emissões operacionais e alcançar emissões líquidas neutras até 2050. O movimento reforçou outra frente que ganhou importância na trajetória recente: o desenvolvimento de tecnologias e soluções voltadas à eficiência e à sustentabilidade.
Em 2024, Alberto Yoshikazu Kuba assumiu a presidência executiva da companhia, sucedendo Harry Schmelzer Jr., que permaneceu 16 anos no cargo. A mudança representou uma nova etapa na gestão de uma empresa que já havia ultrapassado há muito as fronteiras de seu mercado original.

Foto: Divulgação/WEG
Os números atuais ajudam a dimensionar a transformação. Em 2025, a WEG registrou receita operacional líquida de R$ 40,8 bilhões e contava com mais de 49 mil colaboradores. A companhia possuía fábricas em 18 países e filiais em 44 países, com produtos presentes nos cinco continentes.