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PF apreende jatinho de Vorcaro avaliado em R$ 120 milhões

Foto: SAP-SP

Por: Ewaldo Willerding Neto

17/08/2026 - 10:08 - Atualizada em: 17/08/2026 - 10:35

A Polícia Federal apreendeu neste final de semana, no Paraguai, um jatinho particular do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, avaliado em cerca de R$ 120 milhões. O avião, que continuou realizando voos internacionais após a segunda prisão do empresário, foi localizado em Assunção no sábado (15) e levado para Brasília neste domingo (16).

Segundo a autoridade, a apreensão foi realizada em parceria com a Adidância no Paraguai e a Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia. A aeronave passará por inspeção e ficará submetida às medidas judiciais determinadas no caso.

A destinação do jato será definida pela Justiça e poderá incluir venda antecipada, utilização autorizada ou manutenção da apreensão. A aeronave tem duas ordens judiciais de bloqueio, o que impede sua venda ou transferência.

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De acordo com uma apuração da Folha de S. Paulo, desde a segunda prisão de Vorcaro, em 4 de março de 2026, o avião realizou 16 voos internacionais, mas ainda não se sabe por quais circunstâncias. Nesse período, passou por destinos como Nova York, Mônaco e Dubai, enquanto o ex-banqueiro negociava uma possível delação premiada durante sua prisão em Brasília.

Os registros de localização indicam que os voos tinham sempre Assunção como origem ou destino e que, nesse período, o jatinho não passou pelo Brasil. A defesa de Vorcaro não apresentou explicações sobre a utilização da aeronave, e não há registros públicos sobre os passageiros.

O avião, de prefixo PR-PSE, é um Gulfstream GV-SP fabricado em 2010 e foi comprado por Vorcaro em junho de 2023 por aproximadamente R$ 120 milhões. A aeronave está registrada em nome da Viking, holding patrimonial ligada ao ex-banqueiro.

O jato era o mais caro dos três aviões mantidos pela Viking, frota adquirida entre 2022 e 2024 e avaliada em aproximadamente R$ 260 milhões. Vorcaro utilizava a aeronave para seus próprios deslocamentos e também a emprestava a terceiros.

Não há informações no Registro Aeronáutico Brasileiro indicando que o jato tenha sido sublocado. A apreensão ocorre em meio à terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação que levou Vorcaro novamente à prisão.

A primeira prisão ocorreu em novembro de 2025, durante a primeira fase da operação que apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias. Ele foi posteriormente solto e passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Em 4 de março de 2026, no entanto, Vorcaro voltou a ser preso preventivamente por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorreu sob suspeitas de obstrução das investigações e tentativa de coação de testemunhas.

 

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.