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Cavalo Caramelo pode se tornar pai dois anos após sobreviver às enchentes no RS

Foto: Bruna Linck/Ascom Ulbra/Divulgação

Por: Elisângela Pezzutti

10/08/2026 - 13:08 - Atualizada em: 10/08/2026 - 13:32

O cavalo Caramelo, que se tornou um dos principais símbolos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, poderá ganhar um novo papel: o de pai. A possibilidade é avaliada pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), onde o animal vive desde que foi resgatado durante a catástrofe climática.

Caramelo ficou quatro dias ilhado sobre o telhado de uma casa em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, enquanto as águas das enchentes tomavam conta de diferentes cidades do estado.

O resgate foi realizado pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, com acompanhamento de veterinários durante toda a operação. Para garantir a segurança do trajeto, Caramelo precisou ser sedado. A equipe havia sido informada de que, para evitar que o bote virasse, o animal não poderia permanecer acordado durante o deslocamento.

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Depois de ser retirado do telhado, Caramelo foi colocado, ainda dentro do bote, sobre uma carreta. Em seguida, foi levado a um hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdida durante as horas em que permaneceu ilhado.

Caramelo pode ganhar um filhote

Atualmente, Caramelo vive no campus da Ulbra, em Canoas, e poderá ter um descendente. Segundo Laura Cezimbra, diretora do Hospital Veterinário da instituição, a universidade avalia possíveis parceiras para o garanhão.

Um dos principais critérios considerados é a compatibilidade do porte físico entre os animais. Algumas candidatas já estão sendo analisadas.

“O Caramelo está plenamente saudável. Desde que ele chegou aos nossos cuidados, a prioridade tem sido a saúde e o bem-estar dele”, afirma Cezimbra.

A ideia de permitir que Caramelo tenha um filhote surgiu a partir do vínculo criado entre o animal e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. Conforme a veterinária, os seguidores costumam pedir novidades sobre a vida do cavalo e demonstram interesse em acompanhar as diferentes fases de sua história.

Caramelo é um garanhão, ou seja, um cavalo macho não castrado. Por isso, não pode conviver livremente em grupo, embora mantenha contato próximo com outros equinos que vivem no campus, incluindo fêmeas.

Quando está perto das éguas, o cavalo costuma relinchar, tentar se aproximar e demonstrar interesse pelas fêmeas. Foi justamente a partir desse comportamento que surgiu a discussão sobre a possibilidade de ele ter descendentes.

“Se viu que ele tinha bastante interesse, comportamento de garanhão. Em reuniões, inclusive comentando se castra ou não castra, o pessoal surgiu com a ideia de ter um filhote para de fato fazer a questão mais social do Caramelo com os seus seguidores”, explica Cezimbra.

Fotos: Reprodução TV Globo/Bruna Linck/Ascom Ulbra/Divulgação

Possibilidade não envolve preservação genética

Segundo a diretora do Hospital Veterinário da Ulbra, a iniciativa não tem relação com preservação genética. A possibilidade de Caramelo ter um filhote está ligada ao significado que o animal passou a representar para muitas pessoas depois das enchentes.

Para a universidade, a história do cavalo despertou um forte vínculo afetivo com o público e passou a transmitir uma mensagem de resistência e superação.

“Existe uma questão afetiva muito grande envolvendo o Caramelo”, comenta a veterinária.

Relação com o povo gaúcho

A história de Caramelo durante as enchentes comoveu o país. A mobilização da população e das forças de segurança durante o resgate também destacou a relação histórica entre o cavalo e o povo gaúcho.

O cavalo crioulo é considerado animal-símbolo do Rio Grande do Sul e é reconhecido como patrimônio cultural desde 2002. A relação com os equinos é apontada como uma tradição que integra a identidade do povo gaúcho.

O resgate de Caramelo ganhou repercussão nacional justamente por reunir a mobilização de diferentes pessoas e equipes em torno da sobrevivência do animal, que permaneceu por quatro dias sobre o telhado de uma residência em Canoas.

Rotina de Caramelo na Ulbra

Hoje, com cerca de 11 anos, Caramelo vive no campus da Ulbra, em Canoas. Segundo Cezimbra, o cavalo mantém uma rotina considerada normal para um animal da espécie. Durante a noite, ele permanece em um espaço protegido. Durante o dia, fica solto em um piquete próprio.

Recentemente, Caramelo ganhou um piquete exclusivo de 250 metros quadrados. No espaço, passa boa parte do dia correndo, pastando e rolando na grama. O local também facilitou a visitação do público e as atividades dos estudantes de Medicina Veterinária, que convivem com o cavalo durante as aulas práticas.

 

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.