O cavalo Caramelo, que se tornou um dos principais símbolos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, poderá ganhar um novo papel: o de pai. A possibilidade é avaliada pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), onde o animal vive desde que foi resgatado durante a catástrofe climática.
Caramelo ficou quatro dias ilhado sobre o telhado de uma casa em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, enquanto as águas das enchentes tomavam conta de diferentes cidades do estado.
O resgate foi realizado pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, com acompanhamento de veterinários durante toda a operação. Para garantir a segurança do trajeto, Caramelo precisou ser sedado. A equipe havia sido informada de que, para evitar que o bote virasse, o animal não poderia permanecer acordado durante o deslocamento.
Depois de ser retirado do telhado, Caramelo foi colocado, ainda dentro do bote, sobre uma carreta. Em seguida, foi levado a um hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdida durante as horas em que permaneceu ilhado.
Caramelo pode ganhar um filhote
Atualmente, Caramelo vive no campus da Ulbra, em Canoas, e poderá ter um descendente. Segundo Laura Cezimbra, diretora do Hospital Veterinário da instituição, a universidade avalia possíveis parceiras para o garanhão.
Um dos principais critérios considerados é a compatibilidade do porte físico entre os animais. Algumas candidatas já estão sendo analisadas.
“O Caramelo está plenamente saudável. Desde que ele chegou aos nossos cuidados, a prioridade tem sido a saúde e o bem-estar dele”, afirma Cezimbra.
A ideia de permitir que Caramelo tenha um filhote surgiu a partir do vínculo criado entre o animal e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. Conforme a veterinária, os seguidores costumam pedir novidades sobre a vida do cavalo e demonstram interesse em acompanhar as diferentes fases de sua história.
Caramelo é um garanhão, ou seja, um cavalo macho não castrado. Por isso, não pode conviver livremente em grupo, embora mantenha contato próximo com outros equinos que vivem no campus, incluindo fêmeas.
Quando está perto das éguas, o cavalo costuma relinchar, tentar se aproximar e demonstrar interesse pelas fêmeas. Foi justamente a partir desse comportamento que surgiu a discussão sobre a possibilidade de ele ter descendentes.
“Se viu que ele tinha bastante interesse, comportamento de garanhão. Em reuniões, inclusive comentando se castra ou não castra, o pessoal surgiu com a ideia de ter um filhote para de fato fazer a questão mais social do Caramelo com os seus seguidores”, explica Cezimbra.

Fotos: Reprodução TV Globo/Bruna Linck/Ascom Ulbra/Divulgação
Possibilidade não envolve preservação genética
Segundo a diretora do Hospital Veterinário da Ulbra, a iniciativa não tem relação com preservação genética. A possibilidade de Caramelo ter um filhote está ligada ao significado que o animal passou a representar para muitas pessoas depois das enchentes.
Para a universidade, a história do cavalo despertou um forte vínculo afetivo com o público e passou a transmitir uma mensagem de resistência e superação.
“Existe uma questão afetiva muito grande envolvendo o Caramelo”, comenta a veterinária.
Relação com o povo gaúcho
A história de Caramelo durante as enchentes comoveu o país. A mobilização da população e das forças de segurança durante o resgate também destacou a relação histórica entre o cavalo e o povo gaúcho.
O cavalo crioulo é considerado animal-símbolo do Rio Grande do Sul e é reconhecido como patrimônio cultural desde 2002. A relação com os equinos é apontada como uma tradição que integra a identidade do povo gaúcho.
O resgate de Caramelo ganhou repercussão nacional justamente por reunir a mobilização de diferentes pessoas e equipes em torno da sobrevivência do animal, que permaneceu por quatro dias sobre o telhado de uma residência em Canoas.
Rotina de Caramelo na Ulbra
Hoje, com cerca de 11 anos, Caramelo vive no campus da Ulbra, em Canoas. Segundo Cezimbra, o cavalo mantém uma rotina considerada normal para um animal da espécie. Durante a noite, ele permanece em um espaço protegido. Durante o dia, fica solto em um piquete próprio.
Recentemente, Caramelo ganhou um piquete exclusivo de 250 metros quadrados. No espaço, passa boa parte do dia correndo, pastando e rolando na grama. O local também facilitou a visitação do público e as atividades dos estudantes de Medicina Veterinária, que convivem com o cavalo durante as aulas práticas.