O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Dourado , iniciativa dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A cor dourada simboliza o padrão ouro de qualidade do leite materno, considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida do bebê. A campanha nacional busca ampliar o acesso à informação, combater mitos e fortalecer a cultura de apoio à amamentação, envolvendo famílias, profissionais de saúde e toda a sociedade.
Segundo a médica pediatra, mestre em Ciências da Saúde e professora do Idomed (Instituto de Educação Médica), Ana Carolina Barros Leite Manjabosco , ações como esta são fundamentais para ampliar o conhecimento da população e incentivar práticas que beneficiam a saúde materno-infantil.
“As campanhas de conscientização reforçam a divulgação da informação junto a população e aumentam a adesão da mesma às políticas públicas e mudanças de hábitos. Falar de aleitamento materno, da sua importância, mitos e combater a desinformação tornam-se imprescindíveis nos dias de hoje”, destaca.
Benefícios da amamentação nos primeiros meses de vida
Diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) recomendam que as crianças iniciem a amamentação na primeira hora após o nascimento e sejam amamentadas exclusivamente durante os primeiros 6 meses de vida.
Entretanto, de acordo com a especialista do Idomed, os benefícios vão muito além da nutrição. “O leite materno através de proteínas, imunoglobulinas, carboidratos vitaminas e minerais é capaz de fortalecer o sistema imunológico, melhorar o desenvolvimento cognitivo e diminuir o número de infecções na infância”.
Além dos impactos imediatos, a amamentação também exerce influência duradoura e a longo prazo sobre a saúde da criança. Revisões sistemáticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o aleitamento materno está associado à redução do risco de sobrepeso e obesidade, diabetes tipo 2 e à melhora de indicadores relacionados à pressão arterial.
“A amamentação é parte fundamental da programação metabólica da criança e isso irá repercutir por toda a vida, diminuindo e prevenindo doenças crônicas”, explica a pediatra.
Os benefícios também se estendem às mães. A amamentação favorece o vínculo entre mãe e bebê, especialmente durante a golden hour, ou hora dourada, que é a primeira hora de vida do recém-nascido, período em que o contato pele a pele imediato promove importantes ganhos para a saúde física da mulher.
“A amamentação quando estabelecida na primeira hora de vida é um dos principais fatores que influenciam na formação do vínculo mãe-bebê. Nas primeiras horas, o aleitamento leva a contração uterina, e a longo prazo pode reduzir a chance de câncer de mama, diabetes e câncer de ovário. Além disso, a amamentação é uma das formas mais rápidas de perda de peso após a gravidez”, ressalta Ana Carolina.
O aleitamento como aliado da saúde pública
Além dos benefícios individuais, o incentivo ao aleitamento materno representa um importante investimento em saúde pública.
Para a especialista, a redução da incidência de infecções na infância, aliada à prevenção de doenças em crianças e mulheres, contribui diretamente na melhora dos indicadores gerais de saúde da população.
“Diminuindo a incidência de infecções recorrentes nas crianças, prevenindo o aparecimento de doenças crônicas nelas e de doenças como diabetes e câncer de mama nas mães, temos uma melhora nos indicadores de saúde e diminuição do número de internações.”
Mais do que uma campanha de conscientização, o Agosto Dourado convida a sociedade a reconhecer que amamentar é uma responsabilidade compartilhada. Garantir informação de qualidade, combater a desinformação e oferecer apoio são medidas que fortalecem o sucesso do aleitamento materno e ampliam seus impactos positivos.