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Juventus corre risco de fechar as portas? Presidente responde e projeta futuro do clube

Foto: Divulgação/CMJS

Por: Lucas Pavin

06/08/2026 - 18:08

Pouco mais de uma semana depois do primeiro rebaixamento do Juventus para a Série C do Campeonato Catarinense, o presidente Paulo Marcelino falou sobre o momento vivido pelo clube.

Em entrevista exclusiva ao OCP, o dirigente fez uma análise da campanha, reconheceu erros no planejamento, explicou os impactos da crise financeira e destacou os próximos passos da diretoria.

Além disso, respondeu à principal dúvida da torcida: o Moleque Travesso corre risco de fechar as portas? Confira na entrevista completa.

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OCP – Qual é o sentimento da diretoria após o primeiro rebaixamento à Série C da história do Juventus?

Paulo Marcelino: É difícil falar sobre esse momento. O rebaixamento é algo que não volta mais, então precisamos pensar no futuro. Mas, como presidente, sei da responsabilidade e da marca que isso deixa. A realidade do clube era tão difícil que, financeiramente, talvez o mais correto fosse pedir licença da competição. Mesmo assim, entendemos que ficar sem atividade seria ainda pior e decidimos disputar o campeonato, mesmo conhecendo todas as dificuldades. Como jaraguaense, jamais gostaria de estar marcado pelo rebaixamento do clube. Dói muito, remoemos a cada dia que passa, mas futebol é isso aí.

OCP – Na sua avaliação, quais foram os principais fatores que levaram o clube ao rebaixamento?

Paulo Marcelino: Fazer futebol está cada vez mais caro. Neste ano tivemos uma realidade financeira muito diferente da dos dois últimos anos, quando brigamos pelo acesso. Precisamos equilibrar, tentando achar dinheiro para pagar contas do passado que nunca foi dado atenção e na montagem do elenco. Assumimos esse risco e, infelizmente, pagamos o preço mais alto, que foi o rebaixamento.

OCP – A diretoria reconhece que houve erros no planejamento da temporada?

Paulo Marcelino: Reconheço o erro. Independente da capacidade financeira, estou à frente do clube e tenho que brigar para não ser rebaixado. O planejamento começou e terminou errado. Ficamos até fevereiro sem saber o futuro do clube. Sem a definição da Recuperação Judicial, não podíamos buscar patrocinadores, contratar treinador ou montar elenco. A Recuperação Judicial foi o ponto chave. Ela trouxe vida ao clube, porém, atrasou o planejamento. Quando tudo foi definido, tivemos cerca de 30 dias para organizar a temporada. No final, conseguimos mudar um pouco a realidade, mas não foi o suficiente.

OCP – Em algum momento a diretoria cogitou investir mais para montar um elenco mais forte?

Paulo Marcelino: Poderíamos ter feito loucuras e contratado jogadores sem olhar para a situação financeira. Mas isso significaria aumentar ainda mais a dívida do clube. Optamos por respeitar o orçamento. Talvez outros dirigentes tivessem tomado outro caminho, mas entendemos que isso geraria problemas ainda maiores no futuro.

OCP – O clube está em dia com os jogadores? Existe algum atleta com contrato vigente?

Paulo Marcelino: Sim. Todos os jogadores contratados para a Série B tinham vínculo apenas durante a competição. Estamos com tudo em dia em relação aos atletas e também com as obrigações da Recuperação Judicial. Restam apenas as rescisões previstas para este mês e a folha de julho, que já está programada financeiramente. Hoje, apenas cinco atletas da base permanecem vinculados ao clube.

OCP – O Juventus corre risco de fechar as portas?

Paulo Marcelino: O risco existia antes e continua existindo. A Recuperação Judicial evitou que o clube fechasse, mas ela não garante isso automaticamente. Perdemos o tombamento do patrimônio e precisamos cumprir rigorosamente todo o plano aprovado pela Justiça. O desafio será ainda maior sem atividade profissional.

OCP – Qual passa a ser a prioridade da diretoria?

Paulo Marcelino: Tirar a SAF do papel. Hoje o Juventus vive uma realidade de total transparência. Tudo é acompanhado pela Justiça, pela Receita Federal e pelo administrador judicial. Isso dá mais segurança para quem pretende investir. Nossa esperança é conseguir concretizar esse projeto.

– A diretoria entende que perdeu parte da confiança da torcida? Como pretende recuperá-la?

Paulo Marcelino: Estou envergonhado como presidente e me sinto culpado. Preciso pedir desculpas ao torcedor. Ao mesmo tempo, tenho a consciência de que estou tentando resolver problemas que não foram criados por esta gestão. Mas fazendo uma avaliação de tudo que já passei aqui, sou o cara que mais quero que o clube dê certo. Se eu tivesse desistido, talvez o clube já estivesse fechado. Não estou feliz e dói todo dia quando lembro do rebaixamento, mas nada me adianta se eu desistir. Acredito que a única forma de recuperar a confiança da torcida é manter o Juventus vivo, que vale muito mais que um rebaixamento ou ser campeão. Esse é o maior desafio.

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Lucas Pavin

Jornalista esportivo, com a missão de informar tudo o que rola na região, seja na base, amador ou profissional.