O caminhoneiro Jairo Luan Gomes, morador de Sombrio, no Sul de Santa Catarina, permanece há mais de três semanas impedido de seguir viagem na província argentina de Mendoza. O motivo é uma intensa nevasca que atingiu a Cordilheira dos Andes, na divisa entre Argentina e Chile, provocando o bloqueio das estradas da região.
Desde 15 de julho, Jairo está parado em Uspallata, onde aguarda a liberação da passagem junto com cerca de 580 outros caminhoneiros que também estão retidos no pátio da aduana.
Segundo o motorista catarinense, a fila de veículos vai além do espaço destinado ao estacionamento oficial, com caminhões ocupando também áreas externas e postos de combustíveis próximos. Ele relata que a longa espera tem causado desgaste emocional entre os profissionais.
“Ficar tantos dias no mesmo local acaba afetando muito o psicológico. O que conseguimos fazer é conversar uns com os outros, buscar apoio e tentar manter a calma. Os dias parecem muito longos por aqui”, afirmou.
A tempestade de neve que atingiu a região acumulou até três metros de gelo em alguns pontos e levou ao fechamento completo do Paso Los Libertadores, principal rota de ligação entre Argentina e Chile. Jairo aguardava a reabertura do caminho para continuar o transporte da carga que tem como destino o território chileno.
O caminhoneiro conta que nunca havia enfrentado uma paralisação desse tipo diretamente, embora situações semelhantes sejam conhecidas pelos trabalhadores que cruzam a região.
“Todos os anos esse tipo de problema acontece, mas desta vez a proporção foi muito maior. Está sendo uma situação histórica”, destacou.
Motoristas dependem de doações durante a espera
Enquanto aguardam a retomada do tráfego, os caminhoneiros têm recebido auxílio da Associação de Caminhoneiros de Mendoza, responsável por levar alimentos e água potável aos profissionais que estão isolados.
Jairo afirma que as condições no local são precárias, especialmente em relação à higiene e à estrutura disponível. “A parte mais complicada é o banheiro, que não tem estrutura adequada. A água para o banho é gelada e as condições de uso são bastante limitadas. A ajuda vem principalmente dessas associações, e vamos tentando enfrentar a situação da melhor forma possível”, contou.
Além disso, o clima severo agrava as dificuldades. Segundo ele, os ventos fortes, a poeira causada pelo chão de terra da aduana e a falta de infraestrutura tornam a permanência no local ainda mais complicada.
A dimensão do problema em Mendoza também mobilizou a Agência Federal de Emergências da Argentina, que realizou operações de resgate de turistas presos na região utilizando veículos especiais adaptados para enfrentar a neve.
Para os caminhoneiros, porém, a retomada da viagem depende principalmente da melhora das condições climáticas em Las Cuevas, considerado o trecho mais elevado e crítico da travessia.
A expectativa dos motoristas é que o trânsito seja liberado somente a partir de 8 de agosto, quando a previsão é de que o tempo permita a retirada da grande quantidade de neve acumulada sobre a estrada.
*Com informações do g1