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CNJ propõe novas regras para prevenir conflitos de interesse de juízes

Foto: G. Dettmar/CNJ

Por: Elisângela Pezzutti

04/08/2026 - 16:08 - Atualizada em: 04/08/2026 - 16:10

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, apresentou nesta terça-feira (4) uma proposta de resolução para estabelecer regras voltadas à prevenção e ao tratamento de conflitos de interesse envolvendo magistrados.

Ao anunciar a medida durante sessão do CNJ, Fachin afirmou que o fortalecimento da ética e da transparência é uma prioridade da atual gestão. Segundo ele, desde que assumiu a presidência do Conselho, 14 magistrados foram afastados de suas funções por decisão do órgão disciplinar.

A proposta estabelece critérios para situações que possam comprometer a imparcialidade ou gerar questionamentos sobre a atuação de juízes. Entre os temas abordados estão a participação de magistrados em eventos privados, o recebimento de presentes e a atuação de escritórios de advocacia ligados a familiares de juízes.

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De acordo com o CNJ, o objetivo é criar mecanismos para identificar, declarar e administrar possíveis conflitos de interesse, reforçando a transparência e a confiança da sociedade no Poder Judiciário.

Consulta aos tribunais

Antes da votação da proposta, Fachin abriu prazo de 60 dias para que os tribunais de todo o país apresentem sugestões ao texto. Encerrada essa etapa, a minuta será submetida à análise dos conselheiros do CNJ.

Se aprovada, a resolução concederá prazo de seis meses para que os tribunais adequem seus regulamentos internos às novas diretrizes.

Entre as medidas previstas está o mapeamento de relações familiares, profissionais ou econômicas que possam colocar em dúvida a imparcialidade de magistrados, incluindo vínculos com advogados, partes em processos, fornecedores, prestadores de serviços e grandes litigantes.

As regras deverão alcançar os tribunais estaduais, os Tribunais Regionais Federais (TRFs) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os ministros do STF, entretanto, não estão sujeitos ao controle disciplinar do CNJ, razão pela qual a eventual resolução não se aplicará diretamente à Corte.

Código de Ética para o STF

Paralelamente, tramita no Supremo uma proposta para a criação de um Código de Ética destinado aos ministros da Corte. A iniciativa foi anunciada por Fachin em fevereiro, quando indicou a ministra Cármen Lúcia para relatar a matéria.

O debate sobre regras específicas para os integrantes do STF ganhou força nos últimos meses em meio a questionamentos públicos envolvendo a conduta de ministros e a divulgação de investigações relacionadas ao Banco Master, que mencionaram os nomes dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Até o momento, não houve decisão judicial que atribua irregularidades aos magistrados citados.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.