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Três anos após tragédia, Justiça torna réus dono de clínica e engenheiro por morte de casal prensado em elevador no RS

Idosos foram atingidos por equipamento e internados em estado grave | Foto: Divulgação/Polícia Civil

Por: Elisângela Pezzutti

04/08/2026 - 09:08 - Atualizada em: 04/08/2026 - 09:38

A Justiça do Rio Grande do Sul recebeu a denúncia do Ministério Público do Estado (MPRS) e tornou réus o proprietário de uma clínica de saúde e o engenheiro responsável pela fabricação, instalação e manutenção do elevador onde um casal de idosos morreu em Montenegro, no Vale do Caí. A decisão foi proferida no último dia 24, cerca de três anos após o acidente ocorrido em 19 de julho de 2023.

Os dois responderão por dois homicídios culposos — quando não há intenção de matar. Segundo o Ministério Público, ambos teriam agido com negligência ao permitir que o elevador permanecesse em funcionamento mesmo apresentando falhas de segurança.

Relembre o caso

As vítimas foram Erineu Alves, de 92 anos, e Alsira Guilherme de Jesus de Souza, de 83. O casal chegou à clínica para uma consulta médica marcada no pavimento superior do prédio.

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De acordo com a investigação, a porta do elevador no térreo abriu normalmente e os idosos entraram no equipamento. No entanto, a cabine estava parada no andar de cima. Após o fechamento da porta, a cabine iniciou o movimento de descida e prensou o casal contra a estrutura metálica do elevador.

Erineu morreu no mesmo dia em decorrência dos ferimentos. Alsira permaneceu internada por cerca de um mês e meio, mas não resistiu às lesões provocadas pelo acidente.

O que apontou a perícia

A denúncia do Ministério Público tem como base laudos periciais que identificaram falhas graves no sistema de segurança do elevador.

Segundo a perícia, o sistema responsável por impedir a abertura da porta quando a cabine não estivesse no pavimento estava inoperante. Os peritos concluíram que havia sido instalada uma mola com resistência mais de 17 vezes inferior à especificada para o equipamento, comprometendo o funcionamento do mecanismo de travamento.

Ainda conforme a investigação, o engenheiro responsável deixou de emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) referente aos serviços de manutenção realizados no elevador. O documento, obrigatório nesse tipo de intervenção, teria sido providenciado somente após a tragédia.

Ministério Público aponta negligência

Para o Ministério Público, o engenheiro agiu com negligência e imperícia ao manter o elevador em operação sem garantir as condições de segurança exigidas.

Já o proprietário da clínica é acusado de negligência por continuar utilizando o equipamento mesmo diante de problemas recorrentes. Conforme a denúncia, funcionários e pacientes já haviam relatado falhas no funcionamento do elevador antes do acidente, mas o equipamento não foi interditado nem passou pelos reparos necessários.

O promotor de Justiça Thiago Loureiro Pires de Abreu afirmou que a investigação foi aprofundada após diligências complementares solicitadas pelo Ministério Público. Inicialmente, apenas o engenheiro havia sido indiciado pela Polícia Civil. Com o avanço das apurações, o órgão concluiu que o dono da clínica também tinha conhecimento das falhas existentes.

Pedido de indenização

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que a Justiça fixe um valor mínimo de indenização por danos morais e materiais aos familiares das vítimas.

O órgão também informou que optou por não propor um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Segundo a Promotoria, embora o crime permita essa possibilidade em determinadas situações, a gravidade do caso, o resultado da conduta e o fato de o acidente ter ocorrido em um estabelecimento de saúde justificam o prosseguimento da ação penal.

O que acontece agora

Com o recebimento da denúncia, tem início a fase de instrução do processo criminal. Os réus serão citados para apresentar defesa e, ao longo da ação, serão produzidas provas e ouvidas testemunhas. Ao final da instrução, a Justiça decidirá se os acusados serão condenados ou absolvidos.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.