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Amin se antecipou e não foi por acaso. Não deseja correr risco

Por: Claudio Prisco Paraíso

31/07/2026 - 06:07

O senador Esperidião Amin, que preside o PP Progressistas em Santa Catarina, convocou a convenção homologatória do partido para esta sexta-feira no final da tarde. Detalhe relevante: tanto a União Brasil, que junto com o PP forma a Federação União Progressista, quanto o MDB, vão realizar convenções conjuntas com o PSD no sábado. No mesmo sábado em que acontece em São José a convenção de Jorginho Mello, pelo PL. Então por que apenas o PP se antecipou? A explicação é clara e cristalina.

O risco de esvaziamento

Esperidião Amin não queria correr o risco de que a convenção do PP, realizada no sábado, acabasse esvaziada com as principais lideranças da sigla se dirigindo para a convenção que vai homologar a recandidatura de Jorginho Mello. E o risco era real. Dos três deputados estaduais do PP, apenas Altair Silva está alinhado com Amin no projeto de João Rodrigues ao governo. Os outros dois, José Milton e Pepê Colaço, ambos do Sul, estão fechados com Jorginho Mello.

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Do lado errado

Não para por aí. Figuras proeminentes do partido também estão com o governador. Leodegar Tiskoski, hoje na Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços do governo do Estado, foi desalojado da presidência do PP por decisão de Ciro Nogueira, acionado pelo próprio Amin, que acabou nomeado para a posição. O secretário-geral do partido em Santa Catarina e no Brasil, Aldo Rosa, e o ex-presidente do partido, ex-presidente da Assembleia e ex-deputado Sílvio Drevick, todos com Jorginho Mello. A esmagadora maioria dos prefeitos também está com a reeleição do atual governador.

Amin vai ganhar, mas esvaziado

Isso não quer dizer que Amin vai perder na convenção. Tem o controle partidário e é bem provável que ganhe. Mas esvaziaria o evento. E na eventualidade de um contratempo, antecipar para sexta teria tempo hábil para ainda tentar acertar o baralho.

A legislação que complica tudo

A legislação é claríssima: uma vez consumada a federação no plano nacional, as decisões dos partidos federados, União Brasil e PP, precisam ser as mesmas nos estados. Não pode a União Brasil estar com João Rodrigues e o PP fechar com Jorginho Mello. São um só perante a Justiça Eleitoral. E a União Brasil está praticamente toda com o PSD de João Rodrigues. Talvez também por isso Amin optou pela precaução.

O tempo de televisão decide

Tudo leva a crer que o PP vai dar seu tempo de televisão, assim como a União Brasil, traduzidos na federação, para João Rodrigues. Mas se circunstancialmente os convencionais decidirem diferente, isso enfraqueceria a própria recandidatura de Esperidião Amin ao Senado e o fragilizaria diante da federação e perante o próprio PSD de João Rodrigues. Um risco que ele claramente não está disposto a correr.

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