Será que jovens me “ouvem” aqui no jornal? Sim, muitos. E isso é a esperança maior de todos nós e do Brasil de modo especial. Jovens que não deixam os ventos da vida passar inobservados. Esses jovens vão crescer, como nós, mais velhos, crescemos. Antes de entrar no assunto, é bom deixar claro que passamos a envelhecer desde o nosso primeiro piscar de olhos. E quando é que, oficialmente, nos tornamos velhos, idosos? Depende da cabeça da pessoa, há os que se “entregam” cedo, achando que a idade mais avançada é o fim de tudo. O fim é um ponto de vista, como de resto a vida é um ponto de vista. As coisas não são o que “são”, elas são o que fazemos delas. Um exemplo bem pobre? Um revólver pode ser para a nossa defesa, mas também pode ser para um crime brutal. Para muitos, o problema da velhice não é ser velho, mas ver os outros jovens… Ponto de vista. Há muitos jovens que se liquidam cedo diante da vida, e há incontáveis idosos, nesse caso não são velhos, que nem lembram da idade que têm, estão ativos num entusiasmo diante dos seus propósitos, suas causas para sair da cama sorrindo e não gemendo. Os jovens, mais das vezes, têm muitos “conhecidos”, que eles costumam confundir com amigos. Amigos-amigos são poucos, raros ou… Infelizmente, inexistentes. Mas fique claro, fazer amigos é um ponto de vista, um modo de ver a vida e as pessoas, afinal, a vida se resume por nossas relações ao longo dela. E chegar lá no topo do Everest da vida, olhar para os lados e não ver ninguém conosco é o pior dos castigos de uma “semeadura” negligenciada ao longo da existência. Mais uma vez acabei de ler uma manchete que é um beliscão em nossa consciência, ela está sendo repetida cansativamente, diz assim: – “A solidão é um vírus mortal”. E o que é solidão senão ausência de pessoas que nos deem a mão e a quem também estendemos a nossa? Conhecidos é uma coisa, amigos é outra bem diferente. Então, a “meninada” de hoje que não se esqueça; tão importante quanto a “poupança no banco”, os amigos serão a nossa bengala emocional e indispensável na velhice. Faixa de mão dupla.
MULHERES
Quando duvidamos de alguma coisa costumamos dizer – “Pago para ver”! Que as mulheres não digam isso diante de um ordinário que elas pensam que amam. Acabo de ler esta manchete: – “Família de (nome da vítima) morta em Belo Horizonte relata agressões do namorado”. Antes de ser morta, a mulher já tinha sofrido agressões do “seu amor”. Ou ingenuidade ou a falsa esperança de esperar que o vagabundo mudasse seu modo de agir. Nenhum bandido muda de comportamento. Então, não foi por falta de “avisos”, avisos dele…
ELAS
A conversa está rolando com amigas quando digo, sem que elas imaginassem: – “Não sejam trouxas, não paguem para ver. Desconfiem desde o primeiro pigarro do camarada, ali pode estar um bandido disfarçado de bom moço”! Não existe surpresa nos relacionamentos, o que há, isso sim, é interesse leviano que faz a pessoa não querer perceber que o outro não presta. Sem desculpas, amigas…
FALTA DIZER
Jornalista, meu ex-colega, pessoa bem-educada e formidável profissional morreu semana passada em Porto Alegre. Morreu numa “casa de repouso”, quer dizer, morreu num depósito. Cada vez mais comum, a solidão na velhice. Idosos com familiares até o fim da vida é cada vez mais raro.