A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e com apoio da Subsecretaria de Saneamento Básico, está intensificando a limpeza de rios, córregos, canais e valas em todos os bairros da capital. O trabalho é executado diariamente e integra o pacote de ações do município para o enfrentamento do El Niño, fenômeno confirmado em junho por órgãos federais de monitoramento climático.
“A limpeza hidrográfica não é apenas uma resposta à emergência, é prevenção e segurança. Esse trabalho precisa estar concluído antes da chuva, porque durante o temporal não há máquina que compense um rio assoreado ou um canal obstruído. Desde 2022, já são mais de 828 quilômetros de cursos hídricos limpos, quatro anos de manutenção diária que mostram o que essa gestão entende por saneamento. É um pilar permanente e fundamental para a segurança de todos”, destaca o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer.
A ação está prevista no decreto de Estado de Alerta Climático publicado pelo município em 11 de junho. Junto do decreto, a Prefeitura anunciou medidas para ampliar a resiliência da capital, entre elas a intensificação da manutenção dos sistemas de drenagem, o investimento na ampliação da rede de escoamento, o fortalecimento das regiões de encostas e a capacitação das equipes. A gestão da crise climática cabe a um comitê municipal coordenado pela Subsecretaria de Defesa Civil, que reúne secretarias municipais, órgãos estaduais e federais, concessionárias de serviços públicos, universidades, entidades comunitárias e organizações da sociedade civil.
A limpeza hidrográfica consiste na retirada de resíduos sólidos, vegetação excessiva e areia acumulada no leito dos cursos d’água, mantendo rios, córregos e canais desobstruídos e com maior capacidade de vazão, o que reduz o risco de extravasamentos, alagamentos e enchentes nos períodos de chuva intensa.
“Cada curso d’água exige uma resposta própria. Onde a escavadeira alcança, o serviço é mecanizado, onde não há acesso para a máquina ou a intervenção pede mais cuidado, as equipes atuam manualmente. Ao final de cada mês, fechamos o relatório com a extensão total limpa e os pontos atendidos e é a partir dele que planejamos o mês seguinte. Essa constância é o que nos permite chegar antes dos efeitos do El Niño. Quando a chuva vier, os canais já estarão com capacidade plena de vazão”, explica o subsecretário de Saneamento Básico, Bruno Vieira Luiz.

A manutenção no Rio Tavares foi responsável por garantir a seguranção da população em seu entorno e o escoamento adequado em dias de precipitação intensa | Foto: Andy Puerari/PMF
Segundo o diretor de Macrodrenagem, Lindomar Forte, o modelo garante atuação diária em todas as regiões da cidade. Centro, Continente, Norte, Sul e Leste da Ilha. “O resultado desse trabalho aparece quando chove. No Monte Verde, o Rio Vadik era ponto histórico de alagamento, com vários registros até o início de 2025. Depois do desassoreamento, choveu 120 milímetros em um único dia, em dezembro, e não recebemos um acionamento sequer por alagamento na região. É esse padrão que perseguimos em cada frente que abrimos”, afirma.
Desde 2022, Florianópolis acumula mais de 828 quilômetros de cursos hídricos limpos, resultado de quatro anos consecutivos de manutenção diária em todos os bairros. O melhor resultado histórico foi registrado em 2023, com 246 km. Em 2025, o programa voltou a superar a marca de 200 km, com 223 km de extensão atendida e 503 cursos hídricos beneficiados.
Entre as intervenções já executadas, destaca-se o canal artificial de drenagem da bacia do Rio Tavares, no Sul da Ilha, que não recebia manutenção desde a criação, em 1985. As obras de limpeza e desobstrução começaram em março de 2023, divididas em cinco etapas, com escavadeira hidráulica sobre pontão flutuante e apoio de equipe em solo. Ao longo dos 2,5 km de extensão, o canal foi ampliado de 2 para 7 metros de largura, e a profundidade média passou de 0,50 para 3,5 metros.

A Lagoa da Chica, no Campeche, foi um dos locais que recebeu a limpeza totalmente manual | Foto: Felipe Szterling/PMF
No Campeche, as equipes finalizaram, no dia 17 de julho, a limpeza manual da Lagoa da Chica para retirada de macrófitas aquáticas, com apoio de pequena embarcação e acompanhamento do Departamento de Unidades de Conservação (DEPUC) da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram). A lagoa está inserida no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição e a ação, que atendeu demanda técnica e pedido da comunidade, não envolveu remoção da vegetação natural utilizada para nidificação, alimentação ou descanso de animais. Já no Monte Verde, além do resultado no Rio Vadik, foram limpos mais de 4.841 metros de extensão nos cursos hídricos do bairro em 2025.
Em Canasvieiras, no Norte da Ilha, o Rio do Brás passa por revitalização desde dezembro de 2024. Até março de 2025, foram retirados cerca de 5.000 m³ de sedimentos do leito, e em 22 de março de 2025 foi concluída a instalação de três aeradores, com apoio da Casan, cada um com abrangência de 4.500 m². As margens receberam plantio de espécies nativas e vegetação de restinga.