O piloto de um voo particular registrou um relato incomum durante comunicação com o Controle de Aproximação de Londrina, no Norte do Paraná, na noite de segunda-feira (13). Enquanto sobrevoava a região, ele informou ter avistado luzes de forte intensidade e com movimentos rápidos no céu, descrevendo a experiência como “sensacional” e dizendo sentir “calafrios” diante do fenômeno.
Durante o contato por rádio, o comandante perguntou ao controlador de tráfego aéreo se outras aeronaves também haviam reportado a presença das luzes. Segundo ele, os pontos luminosos apareciam na direção oeste e chamavam a atenção pela intensidade do brilho e pela velocidade dos deslocamentos.
“Tem uma luz lá pra frente, que eu não sei se é planeta ou o que que é, muito distante, que ela tá sempre lá. Mas dá um calafrio na gente quando a gente vê as luzes, e é de intensidade muito forte e de movimento muito rápido. É inacreditável”, afirmou o piloto.
A comunicação foi captada pelas frequências das torres dos aeroportos de Londrina e Maringá e registrada pela plataforma LiveATC.net, especializada em gravações de comunicações aeronáuticas. Ao fim da conversa, a origem das luzes não havia sido identificada. Também não existem imagens em vídeo do momento relatado pelo piloto.
A gravação rapidamente repercutiu nas redes sociais, onde muitos internautas passaram a especular sobre um possível avistamento de um Objeto Voador Não Identificado (OVNI).
Confira a transcrição da conversa entre piloto e torre
👨🏼✈️ PILOTO: Uma pergunta. Alguém, alguma noite, reportou para vocês aí uma aparições de algumas luzes, assim, lá pro Oeste nosso aqui, tipo proa 290, 300? Uma curiosidade.
🗼 CONTROLE: Não. Negativo. A gente recebeu, há pouco, um report da Torre Londrina sobre algumas coisa bem nesse setor Oeste do terminal.
👨🏼✈️ PILOTO: E conseguiram identificar alguma coisa que pode ser?
🗼 CONTROLE: Não, por enquanto não. Tráfegos, mesmo, não há nada previsto, nenhum de conhecimento nosso.
👨🏼✈️ PILOTO: Olha, eu vou deixar o meu reporte aqui. Sinceramente, é sensacional. E, assim, dá um calafrio na gente na hora que a gente avista as duas luzes perto daquela luz. Tem uma luz lá pra frente, que eu não sei se é planeta ou o que que é, muito distante, que ela tá sempre lá, né? Mas dá um calafrio na gente quando a gente vê as luzes, e é de intensidade muito forte e de movimento muito rápido. É inacreditável.
🗼 CONTROLE: Ciente, Oscar Tano Echo. Tem condições de informar a distância aproximada da aeronave?
👨🏼✈️ PILOTO: Não. Negativo. É, sei lá, é muito estranho. Eu não vou afirmar nada muito além, não, porque vai parecer até uma brincadeira da nossa parte, mas é muito distante, é alto e muito rápido o deslocamento das luzes quando elas aparecem. Parece que voam em círculos, assim. Nós avistamos duas, tá?
🗼 CONTROLE: Ciente, Oscar Tango Echo. Grato pela informação. Qualquer informação que tenhamos a mais, eu te repasso, viu?
👨🏼✈️ PILOTO: Tá bom, tá bom, fica aí o registro, só porque realmente parece alguma coisa muito sobrenatural pelo calafrio que dá na gente, assim, tanto comigo quanto com o companheiro de cabine aqui. Mas tá bom, obrigado. E desculpa o incômodo, aí, por esse assunto.
🗼 CONTROLE: Que isso. Imagina, comandante.
Especialistas apontam possíveis explicações
Embora o caso tenha alimentado especulações nas redes sociais, especialistas ressaltam que comunicações desse tipo fazem parte dos procedimentos normais da aviação quando pilotos observam fenômenos que não conseguem identificar.
Segundo Fábio Faria, especialista com pós-graduação em Gestão Aeroportuária e Gestão de Linhas Aéreas, o Controle de Aproximação de Londrina é responsável pelo gerenciamento do tráfego aéreo em uma área previamente delimitada. Quando um piloto relata um fenômeno incomum, a informação é registrada e encaminhada aos órgãos competentes como medida de segurança, sem que isso represente qualquer confirmação sobre a natureza do objeto observado.
Faria afirmou ainda ter recebido outros relatos de luzes na região de Londrina no mesmo horário. Na avaliação dele, as características descritas são compatíveis com a passagem de satélites da constelação Starlink, cujo brilho pode ser provocado pelo reflexo da luz solar sobre os painéis e a estrutura dos equipamentos.
A mesma interpretação é compartilhada por Miguel Fernando Moreno, coordenador do Grupo de Estudos e Divulgação de Astronomia de Londrina (Gedal). Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ele explicou que o aumento do número de satélites em órbita tem tornado esse tipo de observação cada vez mais comum, inclusive em horários e posições do céu que antes não eram habituais.
Em nota enviada ao g1, a NAV Brasil Serviços de Navegação Aérea informou que o registro foi encaminhado à Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Operações Militares (COPM), conforme estabelecem os protocolos de segurança. A empresa também ressaltou que o episódio não provocou qualquer impacto nas operações aéreas nem comprometeu os serviços de navegação na área terminal de Londrina.