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Não deixar para amanhã

Por: Luiz Carlos Prates

16/07/2026 - 07:07

Nossa conversa de hoje pode ser interpretada como uma conversa com as pessoas mais velhas, engano. A conversa é com todos e muito especial com os jovens, aos que não se preocupam com o relógio da vida, um relógio que nunca se atrasa e jamais para por falta de pilha… A questão começa com uma verdade tão antiga quanto o primeiro brilho do sol, assunto eterno que se resume no – “A melhor maneira de prever o nosso futuro é criá-lo”. Passamos, especialmente depois de uma certa fase da vida, a pensar temerosamente sobre o futuro, mais medos que prazeres. De nada adianta essa preocupação se não fizermos – cedo – o que temos que fazer. Depois será tarde. Toda esta conversa em razão de eu ter acabado de ler num jornal paulista uma verdade mundial. A manchete diz que – “Brasileiros com mais de 60 anos recorrem ao aluguel de “Airbnb” para completar suas rendas”. Trocando em miúdos, idosos que vivem em “apartamentinhos ou casinhas”, estão alugando um espaço desses locais onde moram para ganhar um dinheiro que lhes está faltando. Fim da picada. Gastar tempo ao longo da vida pensando em tolices e não se conscientizar a pessoa de que ela vai precisar no futuro disto ou daquilo de modo incondicional é o que tem levado muito gente aos asilos… Contar com a ajuda dos filhos é loteria, prêmio muito raro, então, a pessoa precisa pensar antes para não gemer depois. Começar cedo uma poupança, que pode ser uma poupancinha, é indispensável, assegurar de antemão tanto quanto possível aquilo de que vai precisar. Negligenciar, deixar para amanhã, dizer que hoje tudo está bem, que não nos falta nada costuma ser a mais comum e pior das danações. E que as mulheres não pensem que um casamento é tudo, pode ser e, mais das vezes, não ser. Uma pessoa idosa ter que dividir sua casa com estranhos, mais das vezes mal-educados, é uma desastrosa experiência, pode mesmo ser um alto risco… Vai saber. No futebol é muito comum o time entrar em campo de modo negligente, perder no primeiro tempo e ter que se esgarçar no segundo para tentar reverter os prejuízos do primeiro tempo. No nosso caso, esse primeiro tempo é a juventude. Deixar a reação para o “segundo tempo” é costumeiramente assinar contrato com desesperos. E derrotas.

MULHERES

Do meu arquivo de jornais… Nuna entrevista para a Agência Estado, a atriz Fernanda Montenegro, então, com 89 anos, em 2018, disse que – “A mulher que casa para o homem ser seu INPS está perdida”. Vivo dizendo isso, e hoje mais do que nunca. Se a mulher não estudar, não criar uma carreira profissional e não se tornar financeiramente independente estará condenada a depender de um sujeito qualquer. Danação garantida. Independência ou escravidão e ameaças.

VERGONHA

Muitas mulheres, a maioria mesmo, sente vergonha, constrangimento quando lhes perguntam se são casadas. Dizer que não lhes produz uma certa menos-valia. E isso me faz lembrar de uma conhecida que quando lhe perguntavam se era casada ela dizia que sim, e por dentro dizia: -Sim, sou casada comigo mesma! E os homens “adultões” não casados? Ah, esses são espertos… Uff.

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FALTA DIZER

Muitas mulheres dizem-se emancipadas, independentes, isso e mais aquilo, porém… Ao casar adotam o sobrenome do marido, um certificado de posse dos tempos antigos. E por que não os dois, marido e mulher, adotando o sobrenome de um e de outro, os dois pombinhos teriam um novo sobrenome, hein?

 

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.