A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou o processo para discutir a adoção das novas regras aprovadas pela International Football Association Board (IFAB) e implementadas pela Fifa durante a Copa do Mundo de 2026. A entidade pretende reunir os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para avaliar os impactos das mudanças e definir um possível cronograma de implantação.
Em ofício encaminhado aos clubes na última segunda-feira (13), a CBF informou que promoverá, em agosto, uma reunião técnica para apresentar estudos sobre as alterações nas regras do jogo. O objetivo é compartilhar a experiência observada durante o Mundial e discutir, em conjunto com os participantes das competições nacionais, a viabilidade da adoção das novidades no futebol brasileiro.
Paralelamente, a entidade já iniciou a preparação do quadro nacional de arbitragem. Durante um período de treinamentos realizado em Madri, entre os dias 5 e 10 de julho, os árbitros brasileiros receberam orientações sobre as novas diretrizes da IFAB e participaram de debates sobre a aplicação das mudanças.
Entre os temas que serão discutidos está a chamada “Lei Vini Jr.”, incluída na Regra 12, que trata de faltas e conduta antidesportiva. A nova orientação determina a expulsão de jogadores, reservas ou atletas substituídos que cubram a boca ao se comunicar com um adversário de maneira considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória.
A medida, no entanto, não será adotada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A entidade confirmou que passará a utilizar as novas regras a partir da retomada de suas competições, em julho, mas decidiu deixar de fora a norma relacionada à chamada “Lei Vini Jr.”.
As alterações aprovadas pela IFAB têm como principal objetivo diminuir as interrupções e aumentar o tempo efetivo de bola em jogo. Segundo dados apresentados pela Fifa, durante a Copa do Mundo de 2022 as partidas tiveram, em média, cerca de 100 minutos de duração considerando os acréscimos, mas aproximadamente 42 minutos foram consumidos com bolas paradas e paralisações.
Principais mudanças previstas
Cinco segundos para cobrança de lateral
Quando o árbitro identificar demora proposital para a cobrança de um lateral, iniciará uma contagem visual de cinco segundos. Caso o tempo seja excedido, a posse de bola será transferida para a equipe adversária.
Cinco segundos para cobrança do tiro de meta
A mesma regra será aplicada aos tiros de meta cobrados de forma deliberadamente lenta. Se a cobrança não ocorrer dentro do prazo, será marcado escanteio para o time adversário.
Dez segundos para deixar o campo na substituição
Após a placa ser levantada pelo quarto árbitro, o jogador substituído terá dez segundos para deixar o gramado. Nos últimos cinco segundos, o árbitro fará uma contagem visual. Caso o atleta demore além do permitido, o substituto só poderá entrar em campo após um minuto, deixando sua equipe temporariamente com um jogador a menos.
Atendimento médico com retorno após um minuto
Jogadores que receberem atendimento médico fora do campo deverão permanecer ao menos um minuto afastados antes de retornar à partida, salvo em situações específicas previstas pela regra. A medida busca evitar que atendimentos sejam utilizados para retardar o andamento do jogo.
VAR ganha novas possibilidades de intervenção
Além das revisões de gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e erros de identificação, o árbitro de vídeo poderá corrigir mais duas situações objetivas:
- marcação equivocada de escanteios, quando a correção puder ser feita imediatamente;
- aplicação incorreta de um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão.
Nesses casos, por se tratarem de erros objetivos, o VAR poderá comunicar diretamente a arbitragem, sem necessidade de revisão no monitor à beira do campo.
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