Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Rios que movem o País: a história da energia hidrelétrica no Brasil

Foto: Reprodução/Ceran/Divulgação

Por: OCP News Jaraguá do Sul

20/06/2026 - 07:06 - Atualizada em: 26/06/2026 - 17:32

Por Antonio Campesi
Aposentado

Foto: Divulgação

Um rio aumenta a energia de toda uma região. As barragens são essenciais para a geração de energia hidrelétrica, principalmente no Brasil, que possui grandes mananciais. Imagine o mundo hoje sem energia elétrica; nos últimos 147 anos, ela tornou-se parte essencial do nosso dia a dia.
Em 1879, D. Pedro II inaugurava a iluminação da estrada de ferro que levava seu nome, pretendendo conectar todas as regiões do Brasil.

Dois anos depois, a Praça da República, no Centro de São Paulo, recebia a primeira iluminação pública externa do país. O que hoje é um shopping foi, na época, o centro de serviços de geração e distribuição de energia elétrica na cidade, além de operar os bondes elétricos, que antes eram puxados por burros. Foi em carros de boi que a empresa transportou o material necessário para as obras da maior hidrelétrica brasileira até então: a de Parnaíba, no rio Tietê, concluída em 1901.
Antes, o torque para acionar os geradores elétricos era obtido por meio de vapor ou rodas d’água.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

Desde 1950, os estudos sobre o aproveitamento de nossos recursos hídricos deixaram de ser desenvolvidos de forma isolada, apenas para determinadas quedas d’água. Tudo começou quando a Estrada de Ferro Sorocabana buscou suprir o fornecimento de energia para suas ferrovias e também suplementar as concessionárias estabelecidas em sua área de influência.

Como resultado dos primeiros estudos, ficou evidenciada a possibilidade de construção de uma usina na cachoeira de Salto Grande, no rio Paranapanema, estado de São Paulo. Essa obra foi executada e, em 1956, iniciou-se a construção de uma nova usina. Assim, o planejamento das hidrelétricas passou a abarcar conjuntos hidrográficos estaduais ou regionais.

Foi o que aconteceu nos rios Paranapanema, Tietê e Paraná. Foram definidos os pontos mais favoráveis à construção das hidrelétricas e, usina após usina, dezenas foram construídas a montante da binacional Itaipu, a maior obra de nossa história. O reservatório formado pelo represamento do rio Paraná possui 1.350 km² de área, com profundidade máxima de 180 metros e 29 bilhões de metros cúbicos represados para acionar as turbinas.

Para manter essa vazão, é necessário o conjunto de bacias hidrográficas que abrange os estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, somando cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados. A hidrelétrica de Itaipu depende das enormes descargas dos rios Tietê, Paraná, Paranapanema e outros afluentes. O aproveitamento planejado dos recursos naturais tem sido uma constante na política energética brasileira nos últimos anos.

A capacidade geradora instalada no Sul e Sudeste, somada a 50% de Itaipu, gera grande parte da energia consumida no país. Por volta de 1980, o potencial hidrelétrico em nosso país era excelente (terceiro lugar no mundo), estimado em torno de 209.000 MW. O Brasil marchava rapidamente para suprir o crescimento das necessidades de consumo. Além das hidrelétricas, outras fontes de produção (usinas termelétricas) foram utilizadas, embora as hidrelétricas tenham substituído as térmicas em diversos casos. Vale lembrar: 209.000 MW = 209 milhões de quilowatts = 209 bilhões de watts. Outros aproveitamentos de médio porte e baixas quedas também foram explorados.

A energia gerada pelas hidrelétricas é dividida entre a população, indústrias e outros equipamentos. Conclui-se que existe o sentimento de que estamos chegando à exaustão das nossas possibilidades hidroenergéticas. O país vem recorrendo a outras fontes de produção (térmicas), que geram energia de ponta, aquela disponível 24 horas. Até este momento, em todo o planeta, não foi criado um sistema capaz de substituir completamente as hidrelétricas e usinas térmicas a diesel.

Contudo, não se trata apenas da escassez de recursos hídricos, nem da falta de chuva ou da alta temperatura. Resta o conceito de ruína para uma série de fenômenos e a tomada de consciência de que existe um fim para bens como o petróleo e a própria água, e de que há, de fato, uma energia não renovável. As cores das bandeiras não livrarão o país de um apagão. Eu, Antônio Campesi, fiz parte do quadro de funcionários da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) por cerca de 20 anos, por isso, aqui falo com conhecimento e tento repassar aos demais.

 

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

OCP News Jaraguá do Sul

Publicação da Rede OCP de Comunicação