Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Novo Plano Diretor de Florianópolis é tema de debate no Summit Cidades

Foto: Allan Carvalho/PMF

Por: Ewaldo Willerding Neto

26/06/2026 - 10:06 - Atualizada em: 26/06/2026 - 10:59

Florianópolis está diante de um momento de inflexão. A revisão do Plano Diretor da cidade não apenas atualizou regras de uso e ocupação do solo, mas também abriu caminho para um modelo de crescimento urbano em que o espaço público, a mobilidade e as pessoas passam a ocupar o centro das decisões. Foi esse o diagnóstico que guiou o debate no Palco Cidades Inteligentes do Summit Cidades 2026, mediado pelo vereador Rafael de Lima e por Gustavo Bulcão Viana, diretor do Sinduscon Grande Florianópolis.

Um dos efeitos mais concretos do novo marco regulatório é o salto na arrecadação com outorga onerosa, que passou de valores abaixo de 10 milhões por ano para potenciais R$ 100 milhões ao ano. Os recursos vão para os fundos de desenvolvimento urbano e fundo de habitação, que podem ser usados para construção de moradias sociais e para a qualificação de espaços públicos.

O resultado é inédito: pela primeira vez, Florianópolis tem uma linha de financiamento prevista em orçamento para habitação de interesse social. “Cada edifício erguido com potencial construtivo adicional contribui diretamente para esses fundos”, explicou Michel Mittmann, que foi um dos coordenadores da revisão do Plano Diretor.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

No espaço físico da cidade, os efeitos já começam a aparecer. Mais de 17 ruas estão com projetos de melhoria em andamento. A fruição urbana, mecanismo que obriga novos empreendimentos a abrir passagens e espaços permeáveis no térreo, deve ampliar em 15% a área disponível para os pedestres.

Antigas servidões que não se conectavam entre si poderão ser integradas, criando novos percursos e pontos de convivência nos bairros. Para Mittmann, o instrumento ainda está em fase inicial e precisa de tempo para revelar seu alcance. “O novo sempre causa medo. A hora que as coisas acontecerem, as pessoas vão entender, afirmou.

O Laboratório de Urbanismo Aplicado (LUA) é um dos agentes que opera nessa nova configuração. O laboratório reúne arquitetos, urbanistas, empresas e prefeitura em torno de boas práticas e soluções inovadoras desenvolvidas em cidades de todo o mundo, e atua no espaço que a gestão municipal, sozinha, não consegue cobrir: a qualificação do espaço público viabilizada pela pressão sobre os terrenos privados.

Tatiana Filomeno, diretora executiva do LUA, apontou uma mudança de postura que considera estrutural no setor. “Os arquitetos estão virando urbanistas, desenhando para fora”, disse.

O empresário Daniel Dimas da Silva, CEO da Dimas Construções, trouxe a perspectiva de quem atua no mercado imobiliário local há mais de quatro décadas. Para ele, o Plano Diretor abriu um debate que antes não encontrava espaço no setor. “A outorga deu um poder de transformação muito grande. A gente vê urbanistas, pesquisadores, pessoas que não são da construção civil, falando da cidade. Esse debate é fundamental para continuarmos crescendo com qualidade”, afirmou. Daniel defendeu que o setor privado precisa incorporar esse olhar de forma sistemática. “O empreendedor tem que olhar a cidade como um todo, não só para o empreendimento”, disse.

Um dos consensos do painel foi a necessidade de monitoramento contínuo. “Instrumentos novos exigem acompanhamento de indicadores, abertura para correções de rota e compromisso de longo prazo de todos os atores envolvidos, públicos e privados. Nos próximos cinco anos teremos a primeira onda concreta dos efeitos da revisão do Plano Diretor”, avaliou Daniel Dimas. Mittmann reforçou: “O grande legado é pensar a cidade a partir do espaço público, mas os conceitos precisam ser verificados no tempo. Acredito no monitoramento de longo prazo e no compromisso de todos”, disse.

 

 

 

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.