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Estimativa do PIB catarinense aponta crescimento de 2,9%

Foto: Jonatã Rocha/SecomGOVSC

Por: Elisângela Pezzutti

17/06/2026 - 14:06

O Boletim de Indicadores Econômico-Fiscais, divulgado pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) em junho, mostra que Santa Catarina continua apresentando desempenho superior à média nacional em diversos indicadores econômicos, mesmo em um cenário de desaceleração da economia brasileira e mundial. No acumulado dos 12 meses encerrados em março, em comparação com o mesmo período anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual cresceu 2,9%.

Santa Catarina continua apresentando expansão superior à observada no conjunto da economia brasileira, que teve crescimento acumulado de 2% no mesmo período.

Os serviços permaneceram como o principal motor da economia catarinense e cresceram 4,1% no período. O destaque ficou por conta dos segmentos mais intensivos em conhecimento e tecnologia, que vêm ampliando sua participação na estrutura produtiva estadual. Os serviços técnicos e profissionais avançaram 9,6%, a administração pública cresceu 8,3% e os serviços de informação registraram expansão de 5,3%, evidenciando o fortalecimento das atividades ligadas à inovação, tecnologia e prestação de serviços especializados.

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No acumulado de 12 meses, o comércio catarinense cresceu 2,3%, contra apenas 0,2% do Brasil. Santa Catarina ocupa a 5ª posição nacional em crescimento do varejo entre os maiores estados brasileiros.

No comércio exterior, Santa Catarina continua demonstrando capacidade de adaptação às mudanças do cenário internacional. Mesmo com este contexto, o estado manteve posição de destaque nas exportações brasileiras de produtos industrializados e agroindustriais. Em 2026, a China consolidou-se como principal destino das exportações catarinenses, ao passo que mercados como Japão, México e Países Baixos ampliaram sua participação.

A agropecuária exerceu papel importante na sustentação do crescimento econômico estadual. O setor avançou 3,1% no acumulado de 12 meses, impulsionado principalmente pela expansão da pecuária, que cresceu 4,4%. A produção de aves e suínos manteve trajetória positiva, fortalecendo a posição de Santa Catarina como uma das principais potências agroindustriais do país e contribuindo para o avanço das exportações de proteínas animais. O desempenho das exportações foi novamente um dos principais destaques, especialmente na avicultura e na suinocultura, que mantiveram recordes históricos de faturamento.

O comportamento da indústria foi bastante heterogêneo. Enquanto setores ligados ao agronegócio e alguns segmentos produtores de bens de capital e insumos industriais apresentaram resultados positivos, segmentos voltados à produção de bens duráveis enfrentaram um cenário mais adverso. A indústria de alimentos, por exemplo, cresceu 4,9%, beneficiada pelo bom desempenho da pecuária e pela expansão das exportações. Em contrapartida, a fabricação de veículos apresentou retração de 17,0%.

A indústria catarinense manteve desempenho mais favorável do que a média nacional no período, sustentada pelo dinamismo do mercado de trabalho, pela competitividade de setores ligados ao agronegócio e pela diversificação da estrutura produtiva estadual.

Nesse acumulado de 12 meses, sob o mesmo período anterior, a indústria de transformação manteve-se estável em Santa Catarina, enquanto, em nível nacional, retraiu 0,9%. No Brasil, este segmento apresentou retração devido a um contexto marcado pela manutenção dos juros em patamares elevados, condições de crédito mais restritivas e desaceleração gradual da demanda interna. No cenário internacional, o aumento das tensões geopolíticas, a volatilidade cambial e o avanço de medidas protecionistas, incluindo a ampliação das barreiras tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, contribuíram para elevar as incertezas no comércio global e afetar o ambiente de negócios da indústria.

Mercado de Trabalho

“O mercado de trabalho continua sendo um dos principais pilares da economia catarinense. Santa Catarina mantém a menor taxa de desemprego do país, além de apresentar os menores índices de informalidade e subutilização da força de trabalho”, destaca o secretário estadual do Planejamento, Arão Josino.

A força de trabalho catarinense no primeiro trimestre de 2026 foi estimada em 4,632 milhões de pessoas, sendo que 97,3% delas estavam ocupadas. Em relação ao trimestre anterior, o número de pessoas ocupadas aumentou em 15 mil, enquanto, na comparação com o mesmo trimestre de 2025, houve crescimento de 91 mil pessoas.

Dos 4,506 milhões de ocupados, 56,9% estavam empregados no setor privado, dos quais 86,7% possuíam carteira assinada. Esse foi o maior percentual do país, cuja média nacional é de 74,7%. Outros 3,4% eram trabalhadores domésticos, 9,4% atuavam no setor público, 5% eram empregadores e 24,5% trabalhavam por conta própria. Os trabalhadores familiares auxiliares representaram 0,8% da população ocupada.

Do total de catarinenses ocupados, 23,6% tinham como principal atividade a indústria geral; 17,2% atuavam no comércio; 14,5% na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais; 13,2% nos serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas; 7,1% na construção; 6,5% na agropecuária, florestas e pesca; 5,5% nos transportes, armazenagem e correio; 4,7% em outros serviços; 4,3% em serviços de alojamento e alimentação; e 3,4% nos serviços domésticos.

A taxa de desocupação em Santa Catarina ficou em 2,7%, a menor do país no trimestre, enquanto a média nacional foi de 6,1%. Foram criadas 63 mil vagas formais até abril de 2026, o 3º maior saldo de empregos do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. O rendimento médio do trabalhador catarinense alcançou R$ 4.298, o 4º maior do país, superando a média nacional de R$ 3.722.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.