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O MDB de Antídio e a volta do 15 à urna

Por: Claudio Prisco Paraíso

12/06/2026 - 06:06 - Atualizada em: 12/06/2026 - 06:39

Ao longo de sua história em Santa Catarina, o MDB jamais atravessou um período tão delicado em relação à renovação e à afirmação de lideranças estaduais com densidade política, capilaridade eleitoral e capacidade efetiva de mobilização partidária.

Se há uma característica que sempre marcou o velho Manda Brasa catarinense desde a redemocratização, foi justamente a abundância de quadros competitivos, lideranças regionais fortes e disputas internas de alto nível político. O MDB nunca sofreu com vazio de poder. Ao contrário: frequentemente teve lideranças demais para espaços de menos. Basta revisitar as últimas quadro décadas.

Retorno das eleições

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No início dos anos 80, o partido já demonstrava sua musculatura política em prévias históricas. Jaison Barreto e Pedro Ivo Campos protagonizaram uma disputa equilibradíssima. Jaison levou a melhor para o governo, enquanto Pedro Ivo acabou sendo conduzido ao Senado.

Queda de braço

Poucos anos depois, em 1986, uma nova prévia — ainda mais robusta politicamente — colocou frente a frente Pedro Ivo Campos e Luiz Henrique da Silveira. Pedro Ivo venceu com larga margem de votos.

Detalhe importante: Luiz Henrique nasceu politicamente pelas mãos do próprio Pedro Ivo, primeiro como deputado e depois como prefeito de Joinville.

A sucessão

Em 1990, o MDB enfrentaria uma situação absolutamente peculiar. Pedro Ivo Campos morreu precocemente no exercício do mandato de governador. Casildo Maldaner assumiu o governo do Estado, mas naquele período ainda não existia reeleição. Ou seja: Casildo não poderia disputar a recondução ao cargo.

Voo tucano

Naquele mesmo contexto, surgiu um novo ingrediente político de enorme impacto: a criação do PSDB, em 1988. E o novo partido tucano acabou atraindo lideranças expressivas do MDB catarinense.

Entre elas, Paulo Maccarini, figura histórica e liderança de peso do MDB, que migrou para o recém-criado ninho tucano.

Caminho natural

Naturalmente, Luiz Henrique da Silveira aparecia como nome óbvio para disputar o governo pelo MDB. Mas havia um obstáculo gigantesco: Esperidião Amin.

Luiz Henrique não queria enfrentá-lo numa disputa direta.

Movimento tardio

Quando Amin decidiu concorrer ao Senado apoiando Vilson Kleinübing ao governo — então prefeito de Blumenau, assim como o próprio Amin havia retornado à Prefeitura de Florianópolis pelo voto direto — abriu-se uma nova janela dentro do MDB.

Foi nesse momento que Luiz Henrique tentou voltar ao jogo como candidato ao governo. Mas já era tarde.

Chegou primeiro

Paulo Afonso Vieira havia se apresentado antes. Jovem deputado estadual, Paulo Afonso carregava ainda a credencial de ter sido secretário da Fazenda de Pedro Ivo Campos.

Prefeitos influentes

Naquele período, três prefeitos do MDB tinham peso decisivo dentro do partido catarinense: Arnaldo Schmitt, em Itajaí; Renato Vianna, em Blumenau; e Eduardo Moreira, em Criciúma. Eram lideranças municipais com força suficiente para interferir diretamente nos rumos estaduais do partido.

Blumenauenses

Luiz Henrique — que era natural de Blumenau — conseguiu apenas o apoio de Renato Vianna. Arnaldo Schmitt e Eduardo Moreira entenderam que o correto seria respaldar Paulo Afonso Vieira, justamente porque ele já havia colocado seu nome anteriormente.

Aprendizado

Resultado: Paulo Afonso consolidou-se como o candidato do MDB ao longo de praticamente toda a década de 90. Perdeu para Vilson Kleinübing. Venceu Angela Amin em 1994. E acabou derrotado por Esperidião Amin em 1998.

A era LHS

Foi então que surgiu o movimento político talvez mais transformador da história recente do MDB catarinense. Luiz Henrique da Silveira renunciou à Prefeitura de Joinville para disputar o governo do Estado. Venceu. E governou Santa Catarina por dois mandatos consecutivos, tendo derrotado em duas oportunidades aquele que ele tanto temeu.

Tripé

LHS foi o arquiteto da tríplice aliança, redefiniu o mapa político catarinense e consolidou uma hegemonia histórica.

No primeiro mandato, permitiu que Eduardo Moreira concluísse o governo como titular. No segundo, abriu espaço para Leonel Pavan completar o mandato.

Com o PSD

Depois, ainda apoiaria Raimundo Colombo ao governo do Estado. Foi justamente aí que o MDB começou a perder protagonismo como cabeça de chapa. Finda a era Luiz Henrique governador, o MDB ficou duas eleições sem candidatura própria.

Coadjuvante

O partido passou a ocupar espaços de vice-governadoria ou composição. Até que, em 2018, Mauro Mariani recolocou o MDB na cabeça de chapa. Mas a onda Bolsonaro atropelou completamente o cenário político catarinense. Mariani ficou fora do segundo turno. Aliás, nunca havia acontecido isso com o MDB.

Força da onda

Gelson Merisio chegou em primeiro lugar, mas acabaria derrotado por ampla margem pelo então praticamente desconhecido Carlos Moisés.

Suspiro de esperança

Em 2022 surgiu a possibilidade concreta de Antídio Lunelli disputar o governo do Estado pelo MDB. Mas o partido rejeitou seu projeto.

A maioria da sigla preferiu permanecer alinhada ao governador Carlos Moisés, indicando Udo Döhler, ex-prefeito de Joinville, para vice. O resultado foi desastroso.

De fora

Assim como Mauro Mariani em 2018, o MDB novamente ficou fora do segundo turno. E, pior: nem mesmo a candidatura de vice-governador conseguiu levar o partido à etapa decisiva da eleição estadual.

Agora, o cenário muda radicalmente.

Voltas do mundo

Depois de ter sido barrado internamente, Antídio Lunelli ressurge como a principal alternativa para impedir que o MDB desapareça da majoritária em 2026.

Sem Antídio, o partido correria o risco concreto de não ter sequer o histórico número 15 na urna, limitando-se à posição de vice, com Carlos Chiodini numa eventual composição com João Rodrigues.

Vácuo

Seria um esvaziamento brutal para um partido com a história do MDB em Santa Catarina.

Há um simbolismo poderoso nesse movimento do deputado emedebista.

O mesmo Antídio Lunelli que foi rejeitado pelo MDB em 2022 agora retorna como uma espécie de salvador partidário.

Padrinho de peso

E faz isso demonstrando grandeza política e profunda identificação com a sigla à qual se filiou pelas mãos de Luiz Henrique da Silveira.

Hoje, Antídio se consolida como a principal liderança estadual do MDB catarinense.

Origens

Aos 63 anos, carrega no currículo dois mandatos como prefeito de Jaraguá do Sul, um mandato de deputado estadual e agora a construção de uma candidatura ao Senado em dobradinha com Esperidião Amin.

Do campo ao topo

Some-se a isso sua trajetória empresarial extremamente bem-sucedida, construída literalmente “debaixo da roça”, até transformar-se num dos empresários mais vitoriosos de Santa Catarina.

Dentro do atual cenário político catarinense, não há mais dúvida: a grande estrela do MDB de Santa Catarina atende pelo nome de Antídio Lunelli.

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