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A importância da subsidiariedade

Por: Emílio Da Silva Neto

12/06/2026 - 06:06

“SUBSIDIARIEDADE” era-me um vocábulo desconhecido até eu ler a recente encíclica de Leão XIV, algo motivado pelo currículo do norte-americano Robert Francis Prevost, nome nativo do atual Papa.

Independentemente da religião que cada pessoa professe – ou mesmo da ausência de uma crença religiosa – Prevost se destaca pela sua densidade intelectual e capacidade de dialogar sobre os grandes desafios atuais da humanidade.

Soma-se à sua formação acadêmica, a longa vivência missionária no Peru, convivendo com comunidades humildes, conhecendo, de perto, realidades concretas de desigualdade, pobreza e exclusão.

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Combinando profundidade intelectual e sensibilidade humana, Leão XIV emerge como um interlocutor global capaz de aproximar tradição e inovação, razão e valores, reflexão e experiência, ajudando a iluminar questões fundamentais para o futuro da civilização.
Mas, subsidiariedade, o que significa, afinal?

Pois bem, vamos lá: subsidiariedade é o princípio de que questões devam ser resolvidas no nível mais local possível (pessoas, famílias, comunidades e organizações locais), evitando que o poder central esmague o indivíduo. E Leão XIV fortalece ainda mais essa lógica: em vez de focar apenas no Estado, ele defende que esse limite deva ser aplicado às gigantes de tecnologia transnacionais, que hoje possuem mais poder sobre a vida das pessoas do que muitos governos.

Este princípio da subsidiariedade estava implícito já na Encíclica do Papa Leão XIII (Rerum Novarum), lá no final do século XIX, quando da Revolução Industrial, onde foi defendida a dignidade do trabalhador, o direito de associação, a justa remuneração e o equilíbrio entre capital e trabalho.

Na recente do Papa Leão XIV (Magnifica Humanitas), há o alerta para o risco da IA concentrar poder, riqueza, informação e capacidade de decisão em governos, plataformas digitais e grandes corporações, enfraquecendo a autonomia das pessoas e das comunidades.

Em outras palavras, a proposta de ambas as Encíclicas não é frear a tecnologia, mas colocá-la a serviço da dignidade humana, do bem comum e da liberdade responsável, com “voz potente” da subsidiariedade, isto é, com a tecnologia ampliando as capacidades humanas, e não substituindo o discernimento, a criatividade, a responsabilidade moral e a participação das pessoas nas decisões que afetam suas vidas.

Pode-se dizer, então, que, se Leão XIII perguntou como proteger o homem diante das máquinas da Revolução Industrial, Leão XIV pergunta como proteger a humanidade diante dos algoritmos da Revolução Digital.

Em ambos os casos, a resposta passa pela mesma convicção: o progresso só é verdadeiramente humano, quando a tecnologia permanece subordinada à pessoa, e não a pessoa subordinada à tecnologia.

Em resumo, a subsidiariedade lembra a importância de se preservar a centralidade na pessoa humana, impedindo que o indivíduo seja absorvido por estruturas gigantescas, sejam elas estatais, econômicas ou tecnológicas.

E que a tecnologia deva fortalecer a capacidade humana de agir, decidir e construir relações, de forma que o progresso autêntico não consista apenas em aumentar eficiência ou velocidade, mas, sim, em ampliar as possibilidades da realização humana.
Amém!!! Assim seja!!!

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Emílio Da Silva Neto

Consultor especializado em profissionalização, governança e sucessão empresarial familiar. Com vasta experiência, Emílio da Silva Neto é PhD/Dr.Ing, Pós-Doc, Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante, Professor e Sócio da 3S Consultoria Empresarial Familiar. Redes sociais: emiliodsneto | www.consultoria3s.com