Pelo menos três pessoas morreram durante protestos no Quênia contra a instalação de um centro de quarentena para cidadãos norte-americanos expostos ao vírus ebola. A população teme que a medida represente riscos à saúde pública, já que o país faz fronteira com Uganda, uma das nações afetadas pelo atual surto da doença.
A morte mais recente foi registrada nesta terça-feira (9), durante uma manifestação em Nairóbi. Segundo a Comissão de Direitos Humanos do Quênia (KHRC), outras duas pessoas já haviam sido mortas em protestos realizados na semana passada pelo mesmo motivo.
O centro de quarentena seria resultado de um acordo entre os governos do Quênia e dos Estados Unidos. De acordo com especialistas, os detalhes da parceria não foram divulgados, o que aumentou a preocupação da população. O objetivo seria receber cidadãos americanos em território africano com suspeita de contaminação pelo ebola.
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Diante da repercussão, o Tribunal Superior de Nairóbi suspendeu temporariamente a instalação da unidade, que seria construída na região de Laikipia, a cerca de 150 quilômetros da capital. A decisão também proibiu a entrada no país de pessoas expostas ou infectadas com o vírus dentro dos termos do acordo citado.
Em nota, a Embaixada dos Estados Unidos no Quênia afirmou que a estrutura faz parte de uma estratégia para conter a disseminação da doença e que não representa riscos para as comunidades vizinhas.
O atual surto da cepa Bundibugyo do ebola, para a qual ainda não existe vacina ou tratamento, já soma 626 casos e 112 mortes na República Democrática do Congo, além de 19 casos e duas mortes em Uganda. Autoridades africanas e organismos internacionais trabalham para impedir o avanço da doença na região.