Por Francine Sevignani
Mãe do Andrei, Arthur e Alice. Jornalista e fundadora dos grupos TeAcolho e Quero Minha Mãe
Em 18 de junho é celebrado o Dia do Orgulho Autista. E antes de qualquer coisa, é importante dizer que esta não é uma data sobre mim. Não estou no Transtorno do Espectro Autista. Sou mãe de crianças que estão. As vozes que merecem destaque neste dia são as deles.
Mas, justamente por ser mãe, não consigo passar pela data sem refletir sobre o que ela realmente significa para o presente e para o futuro dos meus filhos. Falar sobre a neurodiversidade, combater preconceitos e celebrar a identidade autista é também sobre eles.
Muitas vezes, o autismo é apresentado à sociedade apenas pela ótica da limitação, do diagnóstico, dos “níveis de suporte”. Fala-se sobre dificuldades, desafios e intervenções. Sobre medos, inseguranças e exclusão. Quase nunca sobre identidade, pertencimento e orgulho. Como se a única meta possível fosse aproximar pessoas autistas de um padrão considerado “normal” perante a sociedade. Como se elas precisassem se adaptar, se encaixar, o tempo todo.
O Dia do Orgulho Autista traz um olhar diferente. Não ignora os desafios reais que muitas pessoas autistas enfrentam. Não romantiza a falta de acessibilidade, o preconceito ou as barreiras diárias. Mas lembra que ser autista não é algo que precisa ser escondido, corrigido ou apagado.
Como mãe, meu papel não é transformar meus filhos em versões aceitáveis para a sociedade. Meu papel é ajudá-los a crescer em um mundo que os respeite como são. Que não se aproveite da ingenuidade do Andrei, do altruísmo exagerado do Arthur e da independência extrema da Alice.
Quero que os meus filhos tenham acesso aos apoios de que precisam. Que sejam acolhidos na escola, no trabalho e nos espaços públicos. Como toda mãe, atípica ou não, quero que eles tenham oportunidades. Mas quero também que saibam que não precisam sentir vergonha de ser quem são.
Portanto, celebrar o orgulho autista não é negar dificuldades. É reconhecer que uma pessoa pode enfrentar desafios e, ainda assim, ter valor, dignidade e identidade.
Talvez seja por isso que esta data seja tão importante para mim. Porque penso no futuro. Penso nos adultos que meus filhos se tornarão. E desejo que eles cresçam em uma sociedade que os enxergue para além dos estereótipos, que escute suas vozes e respeite suas formas de existir.
O orgulho autista é sobre pertencimento.
E, como mãe, não espero que meus filhos se tornem diferentes para serem aceitos. Espero que vivam em um mundo capaz de aceitá-los exatamente como são.