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Desde a colonização, rios Itapocu e Jaraguá impulsionaram o desenvolvimento local

Foto: Arquivo Histórico de Jaraguá do Sul

Por: Maria Luiza Venturelli

26/07/2026 - 08:07 - Atualizada em: 26/07/2026 - 08:13

Antes mesmo de existir como cidade, Jaraguá do Sul já tinha nos rios a base para sua ocupação, desenvolvimento econômico e formação social. O Rio Itapocu e o Rio Jaraguá desempenharam papel decisivo na chegada dos primeiros colonizadores, no escoamento da produção agrícola e no surgimento das atividades que deram origem à economia local.

Muito antes da construção de estradas, pontes e da consolidação industrial que hoje caracteriza a cidade, os cursos d’água eram as principais referências geográficas da região. Foi entre os rios Itapocu e Jaraguá que Emílio Carlos Jourdan instalou, em 1876, o chamado Estabelecimento Jaraguá, considerado o marco inicial da colonização do município.

Travessia de balsa sobre o rio Itapocu. Foto: Antigamente em Jaraguá do Sul

A importância dos rios naquele período era prática e estratégica. Em uma região ainda coberta por mata e de difícil acesso, as águas serviam como rota de deslocamento, abastecimento e orientação para os moradores que chegavam ao Vale do Itapocu. Muitos dos primeiros colonizadores utilizaram o próprio rio como caminho de entrada para a região, quando ainda não existiam estradas ou ligações terrestres estruturadas.

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A água como base da colonização

A escolha das áreas próximas aos rios não aconteceu por acaso. As margens ofereciam acesso à água para consumo humano, criação de animais e cultivo agrícola. Em uma época em que a sobrevivência dependia diretamente dos recursos naturais disponíveis, a proximidade dos rios garantia as condições necessárias para que as famílias se estabelecessem e prosperassem.

Com a chegada dos imigrantes europeus, especialmente alemães, italianos e húngaros, a partir do final do século XIX, a ocupação do território avançou para regiões como Rio da Luz, Rio Cerro e Garibaldi. Grande parte dessas comunidades se desenvolveu justamente acompanhando os cursos d’água que cortavam o município.

Os rios também foram fundamentais para o fortalecimento da agricultura, primeira grande atividade econômica da região. A água era utilizada no abastecimento das propriedades, em pequenas irrigações e na manutenção das lavouras que garantiam a subsistência das famílias e o abastecimento das comunidades em formação.

Foto: Arquivo Histórico de Jaraguá do Sul

O Itapocu como rota comercial

Além de sustentar a produção agrícola, o Rio Itapocu desempenhou uma função essencial no transporte e no comércio. Durante décadas, ele foi uma das principais vias para o escoamento da produção local.

No início da colonização, a travessia do rio era realizada por balsas, e os agricultores dependiam dos pontos de embarque para transportar mercadorias. Um dos locais mais importantes desse período foi o Porto Czerniewicz, que se consolidou como centro de circulação de pessoas e produtos e ajudou a integrar a colônia aos mercados regionais.

Em uma época sem a infraestrutura logística existente atualmente, o rio funcionava como verdadeiro corredor econômico, conectando os colonizadores a outras localidades do Norte catarinense.

A força da água no desenvolvimento econômico

Com o crescimento da população e das atividades produtivas, os rios passaram a ter novas funções. Além do abastecimento e do transporte, a força da água começou a ser utilizada para movimentar moinhos, engenhos e outras estruturas essenciais para a economia local.

A energia mecânica produzida pelas rodas d’água permitiu ampliar a capacidade produtiva das propriedades rurais e contribuiu para o desenvolvimento das primeiras atividades industriais da região. Mais tarde, os recursos hídricos também passaram a ser utilizados na geração de energia elétrica.

Esse aproveitamento dos rios acompanhou a transformação econômica de Jaraguá do Sul, que deixou de ter uma base predominantemente agrícola para se tornar um dos principais polos industriais de Santa Catarina.

Foto: Arquivo Histórico de Jaraguá do Sul

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Maria Luiza Venturelli

Jornalista formada pela Faculdade IELUSC, especializada em conteúdo publicitário, cultura e entretenimento.