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Joinville de ontem revive por meio de lembranças em documentário de Alceu Bett

Fotos: Divulgação

Por: Elisângela Pezzutti

08/06/2026 - 16:06 - Atualizada em: 08/06/2026 - 16:45

Qual é a Joinville que vive dentro de nós? E como essas lembranças permanecem e moldam quem somos? É por perguntas assim que o cineasta Alceu Bett percorreu para chegar a “Joinville de Toda Nossa Infância”, uma viagem ao passado da cidade por meio de muitas vozes e suas lembranças pessoais. Produzido com recursos via Simdec, o documentário tem pré-estreia no dia 11 de junho, às 19h30, na Galeria 33, com entrada gratuita.

Entre lembranças, imagens e afetos, “De Toda Nossa Infância” transforma Joinville em território sensorial da memória. Partindo da obra de Juarez Machado e atravessando relatos de moradores, artistas, fotógrafos e personagens da cidade, o filme constrói uma narrativa onde infância, bicicleta, rio, ruas e paisagens urbanas se confundem com imaginação, tempo e experiência. Misturando depoimentos, arquivos, imagens contemporâneas e construções visuais poéticas, o documentário – que tem roteiro do jornalista e escritor Joel Ghelen – revela uma cidade que já não existe completamente, mas que permanece viva nas lembranças de quem a viveu.
A gênese do projeto surgiu da percepção de Alceu Bett de que toda cidade possua uma alma construída pelas pessoas que a viveram, algo que vai além dos monumentos, edifícios e cartões-postais. Buscar compreender de que forma um lugar passa a fazer parte de alguém foi o start que originou “Joinville de Toda Nossa Infância”.

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“Ao longo da realização do filme, ouvi artistas, professores, trabalhadores, comerciantes, moradores antigos. E percebi que, quando falavam da infância, estavam falando também da cidade. Falavam de uma cidade feita de experiências. De bicicletas correndo pelas ruas. De banhos de rio. De terrenos baldios que pareciam infinitos. De árvores que serviam de abrigo, de encontro ou de aventura”, comenta o diretor.

A escolha de Juarez Machado como uma espécie de fio condutor da narrativa foi uma escolha natural, segundo Bett. Isso porque a infância do grande artistas em Joinville continua habitando sua pintura como uma memória que nunca deixou de produzir imagens. As bicicletas que retornam, os personagens que reaparecem, os cenários que insistem em permanecer revelam algo que interessa profundamente o cineasta, que nasceu em Lages. “Certos lugares não desaparecem quando são transformados pelo tempo. Eles continuam existindo dentro das pessoas. Ao escutar essas histórias, comecei a imaginar uma infância que não foi minha. E talvez seja justamente isso que este filme procura fazer: imaginar a infância de uma cidade”, diz ele.

“Joinville de Toda Nossa Infância” não é apenas um filme sobre memória. É um filme sobre pertencimento. Sobre aquilo que recebemos dos lugares sem perceber. Sobre a forma como uma rua, uma bicicleta, uma árvore ou uma paisagem continuam vivendo dentro de nós muito depois de terem desaparecido. Ainda bem que, por meio do cinema, temos a chance de habitar experiências de outros e vivenciar algo que, por mais que as gerações passem, nunca muda.

Serviço:

O quê: Pré-estréia do documentário “Joinville de Toda Nossa Infância”, de Alceu Bett.
Quando: Quinta, dia 11, às 19h30.
Onde: Galeria 33, rua Bento Gonçalves, 33, Glória.
Quanto: Gratuito.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.