Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Caso de falsa adolescente em SC remete a filme e série famosos

Foto: Divulgação

Por: Gabriel JR

03/06/2026 - 11:06 - Atualizada em: 03/06/2026 - 13:56

O caso da mulher de 37 anos que se passou por uma adolescente de 12 anos e foi acolhida por uma família em Joinville, no Norte de Santa Catarina, chamou atenção não apenas pela fraude, mas também pelas semelhanças com histórias que inspiraram produções de sucesso no cinema e na televisão.

Revelado pela Polícia Civil na terça-feira (2), o episódio remete ao filme “A Órfã”, lançado em 2009, e ao controverso caso de Natalia Grace, tema de documentários e séries nos Estados Unidos.

No suspense psicológico estrelado por Isabelle Fuhrman, um casal adota Esther, uma menina aparentemente inocente que, ao longo da trama, revela um comportamento manipulador e perigoso. A reviravolta central mostra que ela não era uma criança, mas uma mulher adulta com uma condição rara que lhe conferia aparência infantil. O filme se tornou um clássico do gênero e ganhou uma sequência anos depois.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

Filme “A Órfã”, lançado em 2009 | Foto: Divulgação

A história registrada em Joinville também lembra o caso real de Natalia Grace, uma ucraniana com nanismo cuja idade foi alvo de intensa disputa judicial e midiática nos Estados Unidos. O episódio inspirou o documentário “O Curioso Caso de Natalia Grace”, disponível na Max, além da série dramática “Uma Família Perfeita”, exibida pelo Disney+ e Hulu.

As produções exploram versões conflitantes sobre a identidade de Natalia e abordam acusações de fraude, abandono, abuso e manipulação, temas que ganharam repercussão internacional.

Mulher ganhou festa de 12 anos

De acordo com a Polícia Civil, a suspeita chegou a receber uma festa para celebrar o suposto aniversário de 12 anos. Ela foi presa na terça-feira (2) por suspeita dos crimes de estelionato e falsa identidade.

Durante cerca de 14 meses, a mulher viveu como integrante de uma família que acreditava ter acolhido uma adolescente fugitiva do Pará. Segundo as investigações, ela se apresentava como “Gabriele” e afirmava ter escapado de uma rotina de maus-tratos.

O envolvimento da família foi além da hospedagem. A falsa adolescente ganhou um quarto decorado com brinquedos e itens infantis, além de receber cuidados e apoio emocional. Conforme a polícia, ela também recebeu medicamentos para emagrecimento.

A fraude veio à tona após uma denúncia feita por um parente da família, o que levou ao início das investigações.

Igreja ajudou no acolhimento

Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, a mulher procurou inicialmente uma igreja em Joinville e contou ao pastor que havia fugido de casa devido a abusos. Sem apresentar documentos, ela conseguiu sensibilizar membros da comunidade religiosa, que passaram a ajudá-la financeiramente.

A família que posteriormente a acolheu também frequentava a mesma igreja.

Para sustentar a falsa identidade, a suspeita alegava ter autismo e outras condições clínicas. Ela afirmava ainda que sua aparência mais madura era consequência do uso forçado de hormônios durante a infância.

A investigação apontou que a mulher adotava comportamentos infantilizados para reforçar o personagem. Entre eles, o uso de mamadeira, chupeta e um objeto de apego para dormir. Conforme a polícia, ela também simulava crises de pânico, afinava a voz e demonstrava carência excessiva para conquistar a confiança das pessoas ao redor.

Ainda segundo o delegado, ela evitava frequentar a escola ao afirmar que poderia ser localizada pelo suposto pai agressor caso fosse matriculada.

Suspeita é investigada por casos semelhantes

As apurações indicam que a mulher já teria aplicado golpes semelhantes em outros estados brasileiros. Há registros de ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. O caso segue sob investigação.

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Gabriel JR

Repórter e radialista com 15 anos de experiência na área de comunicação