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Gaiolas humanas

Por: Luiz Carlos Prates

30/05/2026 - 07:05

Sentei por uns minutos na área da minha casa, muitas árvores no pátio e “multidões” de passarinhos. Em razão deles, colocamos uma bacia com água para que eles se refresquem… Eles não são trouxas, vêm um atrás do outro para a bacia, bebericam à vontade batem asas… Nem todos. Alguns ficam pelo pátio, andando de lá para cá. Essa visão, frequentemente, me faz pensar. Esses bichinhos nasceram para bater asas e voar, mas… Muitos deles são pegados e aprisionados em gaiolas, gaiolas não maiores que uma caixa de sapatos. Como é que alguém faz isso ou compra um bichinho desses para mantê-lo num presídio brutal? Há seres humanos em todas as frequências na vida, não digo que a maioria, mas muitos e muitos, nasceram para viver na frequência mental do inferno. Um passarinho numa gaiola é o resultado de um cabeça humana que ainda vive nas trevas do… Nem vou dizer. Observo os passarinhos, penso nos que vivem engaiolados e… Dou-me conta de que nós, humanos, vivemos a maior parte de nossas vidas em “gaiolas”. Gaiolas emocionais, princípios, credos, condicionamentos, medos e desejos que nos confinam em gaiolas de cerceamentos da liberdade que devíamos ter e gozar. Ninguém é livre, ninguém, sabemos disso. Vivemos amarrados, presos em nossas “gaiolas emocionais” e, como já disse, ninguém escapa, ainda que tenhamos nascido para voar, voar livres dentro da nossa possível liberdade. Todos os dias, aqui ou ali, leio, fico sabendo de safadezas árduas produzidas por pregadores religiosos, vagabundos que pregam valores elevados para os outros, mas como eles não acreditam no que prega, pintam e bordam fora da lei. Religiões são gaiolas construídas por seres humanos ditadores para amedrontar os ingênuos e deles sangrar o dinheiro que vivem a pedir. Quem quiser ir para o céu ou viver aqui e agora no céu é muito fácil, basta ser decente. Os decentes não “pecam”, vivem livres das gaiolas dos medos pregados pelos (falsos) religiosos. Você conhece algum religioso que viva na pregação do “voto de pobreza”? Aonde? Quem? O casamento, o trabalho só por dinheiro, amizades venenosas, pressões familiares indevidas e desejos tolos são “gaiolas” em que nos colocaram ou, pior de tudo, nós mesmos entramos. É hora de abrirmos a porta da gaiola em que vivemos, a chave dessa gaiola está, sempre esteve, em nossa cabeça.

HORROR

Manche de rádios e jornais catarinenses: – “Santa Catarina lidera índice de violência contra mulheres”. É o que vivo dizendo e perguntando: e esses “caídos” que espancam mulheres também não se dizem religiosos? Não tem cabimento que um Estado que prega religiosidades, que se diz acima da média brasileira seja o líder brasileiro em violência contra mulheres. Os espancadores têm que ser pegados, de um modo ou de outro…

VÍCIO

Em muitas festas de “grã-finos” está em moda colocar diante da porta de entrada da casa um cestinho. É para que os convidados deixem ali o celular. Está uma loucura o uso de celular. De modo generalizado, as pessoas não passam mais sem o celular na palma de mão e os dedos para cima e para baixo. E depois se queixam de estresse no ambiente de trabalho e falta de educação nos encontros sociais. Educação faz bem…

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FALTA DIZER

Várias são as causas da epidemia de solidão sobre a Terra, mas o básico é que multidões de pessoas envelheceram sem previamente construir amizades duradouras e agora estão pagando o preço. E muitos desses solitários buscam um “casamento” tardio e apressado. É tiro no escuro e erro na certa…

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.