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Carro não liga no frio? Entenda por que isso acontece e como evitar

Foto: Thomaz Silva/Agência Brasil

Por: Elisângela Pezzutti

25/05/2026 - 09:05 - Atualizada em: 25/05/2026 - 09:42

Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitos motoristas voltam a enfrentar o mesmo problema: ao tentar ligar o carro pela manhã, o motor falha, engasga e não entra em funcionamento. Esse contratempo é bastante comum em veículos abastecidos com etanol durante dias frios. A causa, porém, não está necessariamente na bateria ou nas velas, mas nas características químicas do próprio combustível, que apresenta dificuldade para evaporar em baixas temperaturas. Para resolver essa limitação, a indústria automotiva criou diferentes sistemas de auxílio à partida, desde o tradicional “tanquinho” até tecnologias modernas de aquecimento eletrônico.

O efeito do frio nos carros flex

Todo motor a combustão depende da vaporização do combustível para que a ignição aconteça corretamente. O problema surge quando a temperatura cai abaixo de aproximadamente 15 °C: nessas condições, o etanol tende a permanecer líquido, dificultando a formação da mistura ideal para a combustão. É justamente aí que os sistemas de partida a frio entram em ação.

Nos modelos mais antigos e populares, sensores identificam a baixa temperatura e acionam automaticamente um pequeno reservatório auxiliar. Esse sistema injeta gasolina diretamente no coletor de admissão, proporcionando a combustão inicial necessária para colocar o motor em funcionamento. Sem essa ajuda, o excesso de etanol líquido pode acabar encharcando as velas e impedindo a partida.

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O fim do tanquinho tradicional

Quem adquiriu um carro mais recente provavelmente percebeu a ausência do famoso reservatório com tampa vermelha no cofre do motor. Isso acontece porque as montadoras passaram a substituir o sistema antigo por soluções mais modernas e eficientes.

Atualmente, muitos veículos utilizam bicos injetores equipados com resistências elétricas capazes de aquecer o etanol antes da partida. Assim que o motorista destrava o veículo ou gira a chave, o sistema inicia o pré-aquecimento do combustível, permitindo que ele atinja rapidamente a temperatura ideal para vaporização. Com isso, o motor consegue funcionar normalmente sem depender de um reservatório extra de gasolina.

Qual combustível usar no sistema auxiliar

Nos automóveis que ainda utilizam o tanquinho de partida a frio, escolher o combustível correto é fundamental para evitar problemas nos dias mais gelados. Um erro bastante comum é abastecer esse reservatório com gasolina comum ou aditivada.

Como o combustível do sistema auxiliar costuma ficar armazenado por longos períodos, ele pode perder qualidade com o tempo e formar resíduos que obstruem mangueiras e componentes internos. Por isso, especialistas recomendam o uso de gasolina premium, como Podium ou Octapro, que possuem composição mais estável e menor teor de etanol, garantindo maior durabilidade sem deterioração.

Vale a pena investir em gasolina premium?

Embora muitos motoristas evitem combustíveis premium por conta do preço mais alto, no caso da partida a frio o custo adicional é praticamente insignificante. Isso porque o reservatório auxiliar normalmente comporta menos de um litro.

Na prática, utilizar uma gasolina de melhor qualidade funciona como uma prevenção barata contra dores de cabeça maiores. Forçar partidas repetidas em manhãs frias pode afogar o motor e descarregar completamente a bateria. Nessas situações, despesas com guincho ou substituição da bateria acabam sendo muito mais altas do que o pequeno investimento no combustível adequado.

Pergunta frequente: misturar gasolina ao etanol ajuda?

Sim. Em regiões onde o frio é mais intenso, adicionar uma pequena quantidade de gasolina ao tanque principal pode facilitar bastante a partida. Uma mistura com cerca de 20% de gasolina em um tanque abastecido com etanol melhora a vaporização do combustível e ajuda o motor a funcionar com mais facilidade nas primeiras tentativas.

O que fazer se o carro não ligar na primeira tentativa?

O segredo é a paciência. Nunca force o giro da chave por mais de dez segundos seguidos. Esse esforço prolongado superaquece o motor de arranque e drena a sua bateria de forma severa. O correto é aguardar cerca de trinta segundos antes de uma nova tentativa, dando tempo para o sistema pressurizar o fluido novamente.

A transição tecnológica do mercado continua avançando para eliminar peças mecânicas vulneráveis, exigindo cada vez menos manutenção ativa por parte de quem senta ao volante. Enquanto a frota nacional ainda percorre esse caminho de renovação, conhecer as limitações térmicas do seu automóvel e investir em prevenções simples garantem que a sua mobilidade não congele junto com a mudança de estação.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.