O jornalista e escritor Marcelo Passamai lança na quinta-feira (28), às 19h, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, o livro “Ponto Final”, obra que marca o retorno à poesia mais de vinte anos após a última publicação no gênero. Natural do Rio de Janeiro e morador de Florianópolis desde 1989, Passamai, hoje com 61 anos, construiu uma trajetória literária que começou ainda na faculdade de Jornalismo, quando passou a participar de concursos e a despontar como contista e poeta.
Em “Ponto Final”, o autor revisita o período da pandemia de Covid‑19 por meio de poemas que exploram angústias, medos e transformações emocionais vividas naquele momento. A obra, com 76 páginas, não segue divisão por capítulos, mas conduz o leitor por uma travessia lírica que tensiona razão e existência. Para Passamai, a pandemia exigiu uma revisão profunda da forma de sentir e de estar no mundo. “Existiria poesia no pós‑pandemia? Esse livro diz que sim, sempre haverá poesia, enquanto olhos e corações otimistas, cheios de sentimentalidades, existirem”, afirma.
As ilustrações que acompanham os poemas foram criadas com o uso de Inteligência Artificial, resultando em imagens oníricas que dialogam com o clima emocional da obra. “São molduras que valorizam ainda mais os versos e as palavras”, destaca o autor.
Passamai publicou o primeiro livro em 1993, “Faca Cega”, seguido por “Descobrindo Açores” (1999), “Inventário Feminino” (2002) e “Reportagens Inesquecíveis” (2014). Ao todo, soma quatro obras lançadas antes de “Ponto Final”, além de uma extensa lista de prêmios e homenagens recebidos ao longo de mais de três décadas de atuação cultural e jornalística.
Para o escritor, lançar o novo livro na Fundação Cultural Badesc tem um significado especial. “Para mim, a Fundação é mais do que uma instituição: é um símbolo de resistência e valorização da cultura. É a prova de que investir em arte é investir em pessoas, em identidade e em futuro. E é por isso que considero esse trabalho não apenas importante, mas essencial para o desenvolvimento cultural e humano de Santa Catarina”, compartilha.
Ele também destaca o valor histórico do casarão que abriga a Fundação, um edifício do final da década de 1920 que foi residência de Nereu Ramos, único catarinense a assumir a Presidência da República. “Eu não consigo entrar nesse espaço sem sentir o peso e, ao mesmo tempo, a leveza da história. Hoje, esse mesmo espaço abriga encontros, ideias e manifestações artísticas, conectando passado e presente de forma quase poética. Por isso, lançar o livro Ponto Final neste símbolo de cultura é uma honra sem comparação”, completa.
A Fundação Cultural Badesc fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis.