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Entre transtornos e expectativa, duplicação da BR-280 muda a rotina da região

Custo bilionário: com atrasos e revisões de projeto, o orçamento da duplicação da BR-280 disparou de R$ 1 bilhão em 2014 para cerca de R$ 1,7 bilhão | Foto: Fabio Junkes/OCP News

Por: OCP News Jaraguá do Sul

24/05/2026 - 05:05

Por Kamila Melo

Especial para o OCP

A duplicação da BR-280, no Norte de Santa Catarina, segue impactando a rotina de motoristas, moradores e empresários após mais de uma década de obras. Iniciada em 2014, a ampliação contempla quase 74 quilômetros entre São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul, passando por Joinville, Araquari, Guaramirim e Schroeder. O investimento federal é de R$ 1,7 bilhão por meio do Novo PAC.

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Na região do Vale do Itapocu, o lote 2.2, que está mais adiantado, chegando a quase 80% da obra concluída, inclui o contorno de Jaraguá do Sul e Guaramirim com implantação de um novo traçado de 24 km.

Já lote 1 da duplicação da BR-280, entre São Francisco do Sul e Araquari, segue paralisado desde 2022, com apenas cerca de 36% das obras executadas. A expectativa é de retomada parcial ainda em 2026, após nova licitação.

O caminhoneiro Rafael dos Santos, que percorre a rodovia quinzenalmente entre o Paraná e o Norte catarinense, afirma que a obra avança lentamente. “Está complicada a situação, está demorando demais”, relata. A BR-280 recebe cerca de 25 mil veículos por dia, em um trecho ainda marcado por filas, desvios e acidentes graves.

O motorista Rafael atravessa dois estados no comando do frete. Pai e caminhoneiro, ele garante o sustento da família a cada nova viagem | Foto: Fabio Junkes/OCP News

Já o motorista de aplicativo Leonardo de Souza destaca os impactos financeiros do trânsito. “Parado o carro desgasta mais e o motorista ganha menos”, comenta. Para ele, a duplicação deve aliviar os congestionamentos, mas não acabar com eles devido ao crescimento da região.

Viaduto sendo construído nas obras de duplicação da BR-280, no trecho localizado no bairro Joaõ Pessoa, em Jaraguá do Sul | Foto: Fabio Junkes

Moradores convivem com poeira e rachaduras

Em Jaraguá do Sul, moradores também sentem os reflexos da obra. No bairro João Pessoa, o metalúrgico Lucas Prates acompanha diariamente o fluxo intenso de caminhões ligados às obras do túnel duplo do Morro do Vieira. Segundo ele, cerca de 500 veículos pesados passam diariamente pela rua de chão batido, causando buracos, poeira e rachaduras nas residências. “Tem vezes que a moto chega a galopar nos buracos”, relata.

Lucas afirma ainda que a poeira alterou a rotina da família. “A gente nem consegue colocar roupa para secar na frente de casa”, comenta. Enquanto aguarda melhorias, passou a utilizar caminhos alternativos para chegar ao trabalho.

Dentro dos canteiros, os operários convivem diariamente com concreto, poeira e desafios técnicos. O trabalhador Izidro Patrício atua nas estruturas de proteção de um viaduto no lote 2.2 e destaca a responsabilidade da equipe. “Aqui vai passar ônibus, caminhão, muita gente. Tem que ter bastante segurança”, explica.

Expectativa econômica para a região

Para empresários, a duplicação representa uma mudança estratégica para o futuro econômico do Norte catarinense. O empresário Caco Stringari, de Guaramirim, considera os transtornos atuais como temporários. “Demora um pouco, mas isso aqui vai fazer um bem para nós”, afirma. Segundo ele, os trechos já entregues aumentaram o fluxo de clientes em sua loja.

A BR-280 é considerada um dos principais corredores logísticos da região, conectando polos industriais ao Porto de São Francisco do Sul. Para o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul, Francisco Tavares, a conclusão das estruturas mais complexas representa um avanço importante. “A gente entende que a parte mais complexa já está pronta. Agora realmente é um sprint final do governo federal”, avalia.

Francisco também destaca que a demora da obra se tornou um gargalo logístico ao longo dos anos, prejudicando investimentos. “Empresas que antes talvez não pensavam em ampliar os negócios aqui ou vir para a região, começam a olhar com outros olhos”, afirma.

Em Guaramirim, o presidente da Associação Empresarial local, Leandro Freire, acredita que a duplicação e a futura Via Mar devem transformar o fluxo regional. “A sensação é que a gente está caminhando, mas com cautela”, reconhece. Para ele, “a BR-280 hoje é uma cicatriz dentro da cidade.”

O que falta para a conclusão

Segundo o DNIT, o lote 2.1, entre a BR-101 e Guaramirim, alcançou 84% de execução financeira e deve ser concluído em 2026. Já o lote 2.2, entre Guaramirim e Jaraguá do Sul, atingiu 77% e tem previsão de entrega em 2027.

O superintendente regional do DNIT em Santa Catarina, Amauri Sousa Lima, destaca a complexidade do projeto. “O lote 2.2 da duplicação da BR-280 se destaca pela grandiosidade de um contorno de 24 quilômetros em novo traçado, reunindo intervenções de alta complexidade, como elevados e túneis”, explica.

Algumas estruturas já foram entregues, como a ponte sobre o Rio Corticeirinha, o viaduto Caixa D’Água e trechos duplicados do lote 2.1. No lote 2.2, também já foram concluídas interseções em Guaramirim e a ponte sobre o Rio Itapocuzinho.

Viaduto sendo construído nas obras de duplicação da BR-280, no trecho localizado no bairro Joaõ Pessoa, em Jaraguá do Sul | Foto: Fabio Junkes/OCP News

O engenheiro Wilton Viana afirma que a expectativa é liberar o viaduto da Dibrape nos próximos meses. “A ideia é aumentar a fluidez do trânsito e evitar maiores complicações no fluxo”, explica. Segundo ele, as principais dificuldades técnicas foram superadas recentemente.

Enquanto as obras avançam, a BR-280 segue carregando os impactos acumulados de anos de espera: o desgaste de motoristas, a poeira nas casas, o trabalho dos operários e a expectativa de uma região inteira que aguarda a conclusão definitiva da duplicação.

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OCP News Jaraguá do Sul

Publicação da Rede OCP de Comunicação