O atual ministro da Pesca, Édipo Araújo, recebeu parcelas do auxílio emergencial em 2020 ao mesmo tempo em que acumulava pagamentos de bolsa da Capes e, posteriormente, salários de até R$ 15 mil no Ministério da Agricultura. Os dados constam em levantamento publicado pelo Metrópoles com base no Portal da Transparência.
Segundo os registros, o ministro recebeu cinco parcelas de R$ 600 do benefício criado durante a pandemia, totalizando R$ 3 mil. Em abril e maio de 2020, ele recebia bolsa de doutorado financiada pelo MEC enquanto também era beneficiário do auxílio. Já em agosto e setembro, os depósitos coincidiram com salários de R$ 12,7 mil e R$ 15,6 mil pagos pelo governo federal após sua nomeação para cargo comissionado.
A assessoria de Édipo Araújo afirmou que ele solicitou o auxílio quando estava desempregado e sem vínculo formal, alegando que atendia aos critérios previstos na Lei nº 13.982/2020. O ministério sustenta ainda que parte dos pagamentos foi feita de forma retroativa por atraso no calendário da Caixa e que os valores recebidos após sua entrada no governo foram devolvidos automaticamente.
Apesar da justificativa, o caso expõe mais um episódio envolvendo uso de recursos públicos durante a pandemia. Édipo, que atuou em cargos técnicos na gestão Bolsonaro, acabou promovido ao comando do Ministério da Pesca no governo Lula, sob influência do PSD de Gilberto Kassab.