Quase uma década após a tragédia aérea que abalou o futebol mundial, a Chapecoense foi condenada pela Justiça a indenizar a família do jornalista Giovani Klein, uma das 71 vítimas do acidente envolvendo a delegação do clube em novembro de 2016, na Colômbia.
A decisão determina o pagamento de R$ 450 mil por danos morais à esposa e aos pais do jornalista — R$ 150 mil para cada um dos três autores da ação. O magistrado reconheceu a responsabilidade civil objetiva e solidária da Chapecoense como afretadora da aeronave da empresa LaMia, responsável pelo voo.
Na sentença, o juiz também apontou culpa grave do clube por negligência na escolha da companhia aérea. Segundo o entendimento, a Chapecoense assumiu o risco ao optar pela empresa mais barata, mesmo existindo alternativas consideradas mais seguras para a viagem.
Giovani Klein tinha 28 anos e era repórter da RBS TV Chapecó, onde atuava desde 2014 na cobertura esportiva do Oeste catarinense. Natural de Pelotas (RS), acompanhava a campanha histórica da Chapecoense na Copa Sul-Americana quando embarcou rumo a Medellín para a decisão contra o Atlético Nacional.
A tragédia completa dez anos em novembro de 2026 e segue gerando desdobramentos judiciais envolvendo familiares das vítimas e os responsáveis pelo voo.
Apesar da condenação, os pedidos de indenização por danos materiais, relacionados a despesas com tratamento psicológico, e de pensão mensal para a companheira do jornalista foram negados pela Justiça. Segundo a decisão, não houve comprovação suficiente dos gastos alegados nem da dependência econômica da vítima.
Em nota, a Chapecoense informou que não comentará a decisão porque o processo ainda está em tramitação judicial.
Durante a ação, o clube tentou afastar a responsabilidade solidária pelo acidente. Entre os argumentos apresentados pela defesa, a Chapecoense alegou que Giovani Klein embarcou gratuitamente na aeronave, na condição de profissional da imprensa, e que a ausência de contrato direto de transporte afastaria eventual obrigação civil da entidade. O entendimento, porém, não foi acolhido pela Justiça.